Em meio a um mercado que se tornou hostil na semana passada com o armagedom nas empresas de software, o Agibank se viu forçado a reestruturar os termos do seu IPO, cujo pricing está marcado para agora à noite.
A oferta-base foi reduzida de 43 milhões de ações para 20 milhões, e a faixa indicativa de preço caiu de US$ 15-18 para US$ 12-13.
A tranche secundária (de 6,5 milhões de ações) – que daria saída parcial à Lumina Capital Management, Vinci Compass e alguns executivos – foi eliminada, e a tranche primária foi reduzida substancialmente.
Quando lançou a oferta no fim de janeiro, o Agibank planejava captar US$ 720 milhões vendendo 43,6 milhões de ações na oferta-base e mais um greenshoe 100% secundário de 6,5 milhões de papéis.
Agora, nos US$ 12 e com a oferta reduzida, o Agibank levantaria U$$ 240 milhões e estrearia na Nasdaq a 2,2x book. O free float seria de 14% do capital, um número em linha com IPOs americanos.
Ontem à noite, um dos coordenadores envolvidos na oferta disse a clientes que havia três grandes ordens de long-only no livro, perfazendo quase US$ 100 milhões.
Agora, nos US$ 12, a oferta já estaria mais de 7x coberta, segundo uma fonte envolvida na transação, e os coordenadores pretendem alocar apenas para fundos long only para garantir um bom after-market.
Desde a última semana, havia dúvidas entre os investidores se o mercado estava com apetite para cobrir o book – e a que preço.
O Agibank também se tornou um dano colateral da precificação do PicPay, cuja ação já caiu 17% depois do IPO no que banqueiros atribuem a uma alocação junto a flippers. O PicPay captou US$ 500 milhões no topo da faixa, mas de lá pra cá teve uma performance decepcionante.
A mudança de ambiente na semana passada, com a implosão das empresas de software, levou ao adiamento de diversos IPOs na Bolsa americana e ao cancelamento de pelo menos uma oferta.
