A Raízen reportou ontem à noite um prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro tri da safra 2025/26 – mais de seis vezes a perda de R$ 2,6 bilhões registrada um ano antes.
O resultado foi impactado por um impairment de R$ 11,1 bilhões – sem efeito caixa – relacionado à redução do valor recuperável de ativos após uma revisão das premissas contábeis diante da deterioração do crédito e do aumento da alavancagem, e vem num momento em que Shell, Cosan e BTG tentam uma solução para estabilizar a estrutura de capital da companhia.
Nos nove meses do ano fiscal, o prejuízo alcançou R$ 19,8 bilhões, levando o patrimônio líquido a ficar negativo em R$ 1,1 bilhão e elevando a dívida líquida para R$ 55,3 bilhões, ou 5,3x o EBITDA ajustado dos últimos 12 meses.
A fotografia operacional, no entanto, é bem diferente. O EBITDA ajustado consolidado somou R$ 3,15 bilhões no tri, praticamente estável na comparação anual. O turnaround liderado pelo CEO Nelson Gomes capturou R$ 600 milhões em ganhos de eficiência nos nove meses da safra, reduziu investimentos em R$ 3 bilhões na comparação anual e levantou R$ 3,1 bilhões com desinvestimentos no período, restando cerca de R$ 1,5 bilhão a receber.
Em 31 de dezembro, o caixa da Raízen era de R$ 17,3 bilhões, com mais de 90% deste valor em liquidez imediata. Na distribuição de combustíveis, o EBITDA ajustado avançou 50,5% para R$ 1,63 bilhão no tri, compensando parcialmente a fraqueza no segmento de energia e álcool.
Diante da pressão sobre a estrutura de capital e do rebaixamento de ratings, a companhia reconheceu uma “incerteza significativa quanto à continuidade operacional,” e disse ter contratado assessores financeiros e legais para avaliar alternativas.
A companhia está trabalhando com o Rothschild, Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb.
A Raízen disse que este processo é conduzido em conjunto com os acionistas controladores, “que se comprometeram em contribuir capital dentro de uma solução consensual, estruturante e de maneira definitiva.”
