EXCLUSIVO: Vibra em conversas avançadas para ter um sócio na Comerc


A Vibra decidiu atrair um sócio estratégico para a Comerc, o braço de energia renovável do grupo, após especulações iniciais que apontavam para uma possível venda da subsidiária.

O negócio foi oferecido a diversos parceiros potenciais, incluindo a francesa EDF, que é vista por enquanto como a mais próxima de um acordo, disseram ao Brazil Journal fontes a par das conversas, notando que ainda há outros players engajados. 

Ao fechar uma fusão da Comerc com outro grupo de renováveis, a Vibra reduziria sua fatia para 50% ou menos, deixando de consolidar a dívida da empresa em seu balanço, disse uma das fontes. 

“O novo sócio vai contribuir ativos para dentro da Comerc e diluirá a Vibra, mas gerando valor.” 

As negociações ocorrem em meio a uma paralisação dos investimentos em renováveis no Brasil, devido a cortes de geração que têm atingido usinas eólicas e solares, o curtailment

“Não existe mercado hoje para vender a empresa, porque os múltiplos de renováveis estão muito baixos,” disse uma pessoa envolvida nas conversas.

“A ideia é achar um parceiro estratégico para gerar sinergias e reduzir custos. Eles estão na fase de análise de sinergias e do valor de troca,” disse uma segunda fonte. 

A Comerc tem cerca de 2 gigawatts em energia solar e eólica, incluindo grandes usinas e geração distribuída. A Vibra comprou 50% da empresa em 2021 por R$ 3,25 bilhões, e em 2024 adquiriu a fatia restante por R$ 3,5 bilhões. 

O negócio – que abortou o IPO da Comerc – foi fechado quando a Vibra era comandada pelo ex-CEO da Eletrobras e da CPFL, Wilson Ferreira Jr, visando acelerar a transição energética da companhia de combustíveis.

Mas a saída de Ferreira da empresa levantou dúvidas sobre essa estratégia, e o mercado passou a questionar as sinergias e o valuation da transação – ao mesmo tempo em que a situação do setor de renováveis se agravava com o curtailment.

Em outubro, a Vibra reduziu projeções para o EBITDA da Comerc em 2025 de R$ 1,3 bilhão para entre R$ 1,05 bilhão e R$ 1,15 bilhão, citando o curtailment

Apesar da deterioração dessas projeções, a Vibra manteve seu guidance de redução de alavancagem para cerca de 2,5x, comparado aos 2,7x do final do terceiro tri. O guidance não considera um M&A envolvendo a Comerc. A companhia reporta resultados em 11 de março.

A EDF Renewables, uma das noivas em potencial, tem um porte similar ao da Comerc, com cerca de 2 gigawatts entre usinas eólicas, solares e hidrelétricas no Brasil. 

Na semana passada, o BTG escreveu que a expectativa de que a Vibra possa anunciar em breve algo na Comerc, como “uma potencial venda ou spinoff,” vem gerando um otimismo adicional com as perspectivas para a empresa.

A ação da Vibra sobe 90% nos últimos doze meses e opera no all-time high, com a companhia valendo R$ 37,8 bilhões.




Luciano Costa








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