Os primeiros leilões de saneamento e rodovias do ano, realizados nesta sexta-feira, foram palco de disputa entre diversos grupos, com a Aegea e a Azevedo & Travassos saindo vencedoras.
A Aegea – controlada pelas famílias Toledo e Vettorazzo, além de Itaúsa e GIC – ganhou o contrato para serviços de esgoto no município catarinense de Brusque oferecendo um desconto de 17% na tarifa e uma outorga de R$ 60 milhões.
A companhia superou propostas da GS Inima – que está em processo de aquisição pela TAQA, de Abu Dhabi – e do Consórcio CSH, da CS Infra.
Já a Azevedo & Travassos, junto com a construtora Quimassa, superou a Motiva, a EPR – uma JV entre Perfin e Equipav – e a MC Brazil na concorrência pela Rota Mogiana, uma concessão de 520 km do Governo de São Paulo.
O consórcio da Azevedo & Travassos deu um lance com ágio de impressionantes 187.037%, aceitando pagar uma outorga de R$1,08 bilhão, contra R$1,01 bilhão da MC, segunda colocada. A EPR ofertou R$ 560 milhões, e a Motiva, R$ 180 milhões.
“Era muito importante para nós participar e ganhar essa concessão. Esse leilão marca nossa volta às concessões de rodovias depois da saída da Reag do nosso capital,” Gabriel Freire, o CEO e controlador da Azevedo & Travassos, disse ao Brazil Journal.
Fundada em 1922, a centenária Azevedo e Travassos tinha o próprio Freire como principal acionista quando teve seu controle adquirido pela Reag em 2024, por meio do fundo Camaçari.
Após a gestora de João Carlos Mansur virar alvo da operação Carbono Oculto contra o crime organizado, Freire recomprou sua participação, e os indicados da Reag, incluindo o próprio Mansur, deixaram o conselho.
“Óbvio que houve danos relevantes, como a perda da concessão da Rota Agro. Tínhamos acabado de vencer e fomos desclassificados. Mas é página virada. A história da Azevedo é muito maior que esse período com a Reag. A companhia expurgou totalmente a participação deles,” disse Freire.
Segundo ele, o financiamento para pagar a outorga da Rota Mogiana “está alinhado”: um empréstimo-ponte que será quitado com emissão de debêntures de infraestrutura.
“A Rota Mogiana é um ativo interessante porque é brownfield, já tem receita assim que paga a outorga. Então é altamente alavancável, financiável.”
Para outra concessão adquirida pelo grupo, a Rota Verde, a Azevedo & Travassos levantou recursos com a Jive.
