O pre-seed da Shiva, que quer bancar startups criadas só com AI


A Shiva, uma startup fundada pelo ex-COO do Méliuz Lucas Marques, acaba de levantar uma rodada para ajudar empreendedores a criar negócios do zero sem precisar de um time, usando apenas a inteligência artificial.

A startup levantou US$ 10 milhões no maior pre-seed da história na América Latina, uma captação liderada pela Monashees com a participação da Endeavor Catalyst.

“O que estamos fazendo é selecionar pessoas, em geral devs ou especialistas em produto, que estão usando AI para construir um produto do zero, sem precisar de um time,” Marques disse ao Brazil Journal. “Essas pessoas estão fazendo tudo apenas com AI, desde a criação do produto até o marketing, vendas e contabilidade.”

A Shiva já selecionou um primeiro grupo de 30 empreendedores, que estão passando por uma fase de teste de três meses.

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Nesta fase, esses empreendedores têm acesso a uma comunidade no Slack com os outros empreendedores, onde tiram dúvidas e trocam experiências, além de mentorias com especialistas em tecnologia, produto e marketing.

Os empreendedores que forem aprovados para a segunda fase receberão um apoio financeiro mensal da Shiva, pelo período de um ano, para continuar construindo suas empresas. O valor vai depender de caso a caso, mas deve variar de R$ 2 mil a R$ 40 mil mensais, além de suporte financeiro para a contratação das ferramentas de AI (Claude, ChatGPT, e Gemini, por exemplo).

Em troca, a Shiva ganhará uma participação nos negócios que deve variar de 5% a 15% do capital. 

Marques decidiu criar a Shiva depois de passar nove anos na Méliuz. Ele deixou a empresa dois anos depois do IPO, em 2023, quando era o COO do negócio. “Quando eu saí, decidi focar em duas coisas: estudar AI e na minha ONG, o Programadores do Amanhã,” disse o empreendedor.

“Mas no ano passado aconteceram duas coisas que mudaram tudo pra mim. No início do ano eu testei algumas plataformas de vibe coding e achei elas muito ruins. Mas três meses depois fui usar de novo e achei que estavam muito boas. Fiquei impressionado com essa evolução em tão pouco tempo,” disse ele.

Além disso, “pela primeira vez tivemos dois alunos da Programadores do Amanhã que quiseram empreender em vez de achar emprego, porque viram oportunidade de fazer isso usando AI.”

Marques acredita que a AI vai permitir uma mudança no modelo tradicional de venture capital, que em geral opera buscando alguns poucos vencedores sabendo que 90% das investidas vão dar errado.

“Acho que, com a AI, várias startups vão criar negócios que vão faturar US$ 5-10 milhões, e que por ter apenas um ou dois funcionários, vão ter uma margem absurda, que permite distribuir muitos dividendos,” disse ele.

Para ele, a maior parte do retorno da Shiva não virá de unicórnios, mas de startups que vão crescer bootstraping e distribuir dividendos, e de startups que serão vendidas por valuations baixos, de US$ 10 milhões a US$ 50 milhões. 

Uma das startups apoiadas pela Shiva foca em encontrar clientes para empresas de SaaS. Ela usa AI para vasculhar a internet e buscar potenciais clientes que possam se beneficiar dos softwares de seus clientes.

Outra startup no programa está usando AI para treinar pessoas para não caírem em golpes na internet. Uma terceira está criando uma solução com AI para o RH das empresas que consiga entrevistar potenciais candidatos.

Segundo Marques, o perfil dos empreendedores é muito distinto. Há desde devs sêniores, com 20 anos de experiência, até um motoboy que trabalhava com o iFood e decidiu empreender. 




Pedro Arbex








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