O grupo Alexander Otto, o segundo maior acionista da ALLOS com 6,8% do capital, vendeu metade de sua posição num block trade, aproveitando a alta de 70% da ação nos ultimos 12 meses.
O grupo, que é dono da maior rede de shoppings da Alemanha e se tornou acionista da ALLOS na fusão da Sonae com a BR Malls, vendeu 17,1 milhões de ações, ou 3,4% do capital da empresa.
O bloco movimentou R$ 515 milhões, cerca de 3,2x o volume médio diário da ALLOS.
O leilão — coordenado pelo Itaú BBA, que havia dado garantia firme na operação — começou no início da tarde a R$ 29,65, um desconto de 3,47% em relação ao preço de referência de R$ 30,05, e saiu a R$ 30,75.
O bloco foi vendido a oito investidores, todos com perfil long only. Cinco destes fundos são locais; três, internacionais.
Segundo uma fonte envolvida na transação, o grupo Alexander Otto optou por não vender mais porque queria manter um assento no conselho da empresa, onde também faz parte do acordo de acionista. Além disso, a avaliação foi de que o preço ainda está descontado e o papel tem mais para andar.
A ALLOS negocia a 9x seu FFO estimado para este ano e a 7,5x o FFO do ano que vem, um desconto de cerca de 30% em relação à Multiplan. A companhia negocia com um dividend yield de 12,5%.
Estes números posicionam a empresa como a mais barata do setor dentre as administradoras de shoppings listadas na Bolsa.
A venda de hoje vem num momento positivo para o setor. Os fundos imobiliários estão projetando uma reabertura da janela de captação a partir de abril, o que beneficiaria a ALLOS por criar a oportunidade de venda de ativos ou de tombar parte da estrutura dentro de um FII.
O grupo Alexander Otto aceitou um lock-up de 90 dias para o restante da posição.
A ALLOS vale R$ 15,2 bilhões na B3.
Os maiores acionistas da companhia são o CPPIB, 9% do capital, a Sonae Sierra, com 5,3%, a Guepardo Investimentos, com 5,4%, e a SPX, com 5,2%.
