Num ano desafiador para o setor de educação, a Yduqs reportou uma forte geração de caixa e atingiu seu guidance — mas com um crescimento fraco da receita e um EBITDA e lucro pressionados.
A dona da Estácio, IBMEC e Idomed também sinalizou um cenário desafiador na captação de alunos em 2026, um reflexo de mudanças regulatórias que prejudicaram o ensino à distância.
No consolidado do ano, a Yduqs reportou um fluxo de caixa livre para o acionista de R$ 500 milhões, um crescimento de 38% ano contra ano e exatamente no piso do intervalo do guidance, que ia de R$ 500 mi até R$ 600 mi.
Mesmo com um EBITDA menor, a Ydqus conseguiu melhorar sua geração de caixa por conta de uma melhora no capital de giro — ajudado por uma redução de 17 dias no prazo médio de recebimentos.
“O setor vive um momento de estagnação do crescimento, então nossa proposta é que o investidor seja muito bem pago enquanto espera um novo ciclo de expansão,” o CEO Rossano Marques disse ao Brazil Journal. “Por isso estamos focando em crescer a geração de caixa e voltar a pagar dividendos.”

Em 2025, a Yduqs distribuiu R$ 150 milhões em dividendos, em linha com o montante pago no ano anterior.
A companhia teve um crescimento de receita de apenas 3% para R$ 5,5 bilhões, e viu seu EBITDA cair 2% para R$ 1,7 bi. O lucro líquido ajustado despencou 17% para R$ 400 milhões.
O lucro líquido por ação ficou em R$ 1,51, abaixo do guidance que a companhia tinha passado no início do ano, que ia de R$ 1,70 a R$ 1,90.
No quarto tri – sazonalmente o mais fraco para o setor – a dinâmica foi parecida. A receita subiu 3%, o EBITDA ficou estável e o lucro líquido ajustado caiu 3% para R$ 60 milhões.
Enquanto o lucro e a receita vieram em linha com o consenso do sellside, o EBITDA ficou ligeiramente abaixo.
O resultado da Yduqs variou muito por segmento. Enquanto o IBMEC e a Idomed (focada em medicina) cresceram acima de dois dígitos, a Estácio foi quem puxou o resultado para baixo, com quedas na receita e EBITDA, especialmente no digital.
“O IBMEC e a Idomed já respondem por 40% do resultado e são negócios que têm uma margem maior,” disse o CEO.
A margem EBITDA do Idomed foi de 50% no ano, e a do IBMEC, 45%. Já a da Estácio foi de 20% no presencial e 38% no digital.
A Yduqs também apresentou uma prévia da captação de novos alunos do primeiro trimestre de 2026 — um dos indicadores mais importantes para o ano.
A companhia tem duas grandes janelas de captação de alunos, no primeiro tri (que tipicamente representa 50% da captação total) e no terceiro. Nos outros trimestres a captação é menor, já que não há matrículas para o presencial.
Com 80% da captação do primeiro tri já concluída, a companhia disse que viu uma queda de 7% nas matrículas, na comparação com o mesmo período do ano passado.
O presencial caiu 5%, o EAD despencou 37% e o semi-presencial subiu 74%. A queda forte do EAD teve a ver com uma nova regulação aprovada em meados do ano passado pelo Ministério da Educação – o chamado Marco do EAD – que proibiu que diversos cursos fossem oferecidos na modalidade 100% digital.
“Uma boa parte da queda do EAD foi de pessoas que migraram para o semi-presencial, mas no net o resultado ainda foi negativo,” disse o CEO. “Quando olhamos em valor, no entanto, ficamos estáveis, porque o tíquete do semi-presencial é maior que o do EAD.”
