Grupo Mateus frustra nas vendas do quarto tri e ação despenca


A ação do Grupo Mateus despencou cerca de 15% depois de um quarto tri que frustrou o mercado. 

Por volta das 14 horas, o papel já havia negociado R$ 140 milhões contra uma média diária de R$ 25 milhões nesse horário. O volume projetado para o dia bate R$ 300 milhões.

Desta vez, o selloff não foi provocado por um temor contábil, como no fim do ano passado, mas por algo mais simples: vendas bem abaixo do esperado pela empresa fundada por Ilson Mateus.

Mateus

As vendas no conceito ‘mesmas lojas’ (SSS) caíram 1,1% no quarto tri em comparação com o mesmo período do ano anterior. O mercado esperava estabilidade.

A maior queda foi no negócio de cash & carry, que despencou 5,5% com a operação do Novo Atacarejo, a JV do grupo com a família Assis que atua em Pernambuco, Paraíba e Alagoas.

Ainda assim, o Mateus reportou uma receita líquida de R$ 10,5 bilhões, uma alta de 20,9% em relação ao quarto tri do ano passado. O problema: o consenso era de R$ 10,9 bilhões. 

Isso bateu diretamente no EBITDA ajustado, que caiu 6,2% no trimestre para R$ 508 milhões. O mercado apontava para R$ 690 milhões. 

Com vendas mais fracas, a companhia não conseguiu diluir sua estrutura de custos, levando a uma desalavancagem operacional e pressionou o EBITDA.

“Num negócio de margem baixa, qualquer impacto nas vendas derruba o EBITDA,” um gestor comprado na ação disse ao Brazil Journal.

Na XP, o resultado foi descrito como “fraco e difícil de comparar”, com receita abaixo do esperado por causa de um SSS mais fraco em todos os formatos e margens pressionadas. 

A analista Danniela Eiger disse que as pressões de volume vindas de um crédito mais apertado, deflação de alimentos e macro desafiador devem persistir em 2026.

O Itaú BBA deu o mesmo tom e disse que o trimestre refletiu a combinação de deflação de alimentos com o consumo mais fraco no Nordeste. Na visão do analista Rodrigo Gastim, o primeiro semestre também não deve trazer uma melhora relevante. 

Durante a conferência com analistas, o CEO Jesuíno Martins Borges Filho disse que o consumo tem perdido força por causa dos juros e do endividamento das famílias, e que 2026 será o ano de ganhar eficiência com margem, já que “o macro está mais difícil”. 

Agora, o mercado está fazendo a conta de quanto o lucro deste ano vai cair depois deste trimestre abaixo do esperado.

Antes da queda de hoje, o Mateus negociava a 5,9x lucro para os próximos doze meses, ante 9x do Assaí – seu principal peer na Bolsa. “O papel parecia barato comparado ao Assaí, mas o mercado vai ter que recalibrar,” disse o gestor. 

No capítulo ‘copo meio cheio’, o Mateus gerou R$ 750 milhões de caixa no trimestre, melhorou em 18 dias seu ciclo de conversão de caixa e manteve a alavancagem baixa em 0,4x – queda de 0,1x em relação ao terceiro tri. 

A ação do Mateus cai 40% nos últimos doze meses. A empresa agora vale R$ 9,5 bilhões na B3. 




André Jankavski






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