A Claro acaba de comprar o controle da Desktop, em uma transação que avalia a operadora de banda larga a um enterprise value de R$ 4 bilhões.
A operadora mexicana vai adquirir 73% do capital, hoje nas mãos da HIG Capital e dos fundadores, a um preço de R$ 20,82 por ação – um prêmio de 45% sobre o preço de tela.
O deal – antecipado pelo Brazil Journal em outubro – ainda precisa do aval do CADE e da ANATEL, além de passar por uma assembleia de acionistas para alterar o estatuto da companhia.
O pagamento será feito em cash no closing, com ajustes relacionados à dívida líquida até a conclusão do negócio. Uma parcela de aproximadamente R$ 175 milhões ficará retida em uma conta escrow, liberada ao longo de cinco anos para cobrir eventuais contingências.
A Claro também terá que fazer uma OPA pelos 27% restantes que estão no mercado.
A transação foi estruturada levando em conta uma dívida líquida de R$ 1,6 bilhão. Com isso, o equity value chega a R$ 2,4 bilhões.
A transação implica um múltiplo 6,2x EBITDA, acima dos 4,5x em que a Desktop negocia hoje – o que pode puxar a referência de preço para outras operadoras regionais.
Fontes próximas à transação disseram que a demora para fechar o negócio refletiu a falta de pressa dos vendedores para sair do negócio – tanto por parte dos fundadores quanto da HIG – e que havia interesse de outros players no ativo, como a Vivo.
A Desktop foi fundada em 1996 por Denio Alves Lindo e se tornou a maior ISP do interior de São Paulo, cobrindo mais de 200 cidades.
Denio, um ex-funcionário da IBM que enxergou o potencial de levar a internet para fora dos grandes centros, criou uma empresa que faturou R$ 1,2 bilhão em 2025, um crescimento de 8% em relação ao ano anterior.
O crescimento da Desktop acelerou em 2020 com a entrada do HIG. Saiu de cerca de 100 mil clientes para 1,2 milhão em 200 cidades, combinando crescimento orgânico e diversas aquisições.
Em 2021, aproveitando a janela de IPOs daquele ano, a Desktop foi à Bolsa com a ação valendo R$ 23,50 – valor acima do que foi desembolsado pela Claro.
Ainda assim, a HIG sai com um retorno de cerca de 6x o capital investido na companhia em 2020.
A compra da Claro marca mais um passo na consolidação do mercado de banda larga, com grandes operadoras avançando sobre ISPs que ganharam escala no interior do País.
A ação da Desktop acumula alta de 77% nos últimos doze meses — movimento que ganhou força após as primeiras notícias sobre uma possível venda para a Claro.
O Bank of America foi o assessor financeiro da Desktop, que contou com a assessoria jurídica do Pinheiro Neto.
A Claro não trabalhou com assessores financeiros. O escritório Veirano Advogados foi o assessor jurídico.
