Estée Lauder quer comprar a Puig. Mercado não gosta do cheiro


A Estée Lauder – a gigante americana dos cosméticos – está negociando a compra da espanhola Puig, que atua nos mercados de fragrâncias e moda com marcas como Carolina Herrera e Jean Paul Gaultier.

A transação, reportada pelo Financial Times, criaria uma companhia com valor de mercado de US$ 40 bilhões e foi confirmada pelas partes, que não garantem que as conversas resultarão em um acordo.

Os investidores puniram a ação da Estée Lauder após a notícia, temendo que a aquisição possa atrapalhar o turnaround em curso na empresa.

A ação da Puig, que já havia subido 5% ontem, sobe mais 16% em Madri hoje, enquanto o papel da Estée Lauder recuou 7,7% em Nova York ontem para US$ 79,29. 

Com uma posição de liderança no setor de cosméticos junto com a L’Oréal e uma forte presença no segmento de luxo, a Estée Lauder tenta superar uma crise que se arrasta pelo menos desde 2021.

Com receitas e participação de mercado em queda, a empresa havia finalmente decidido apostar nas vendas online e em produtos mais econômicos desde que Stéphane de La Faverie assumiu como CEO em janeiro do ano passado, em busca de uma nova geração de consumidores.

Agora, com a possível compra da Puig, a companhia controlada por William Lauder, um dos netos de Estée, parece ter mudado de estratégia novamente – e assustou o mercado.

Ainda que a combinação de negócios possa resultar na incorporação de marcas icônicas como Nina Ricci e Rabanne ao portfólio de perfumes da gigante americana, ajudando na briga por share contra a L’Oréal, analistas entendem que a operação não vem em boa hora.

“A Estée Lauder está nos estágios iniciais de uma reestruturação empresarial, e um negócio deste porte cria complexidade e risco de execução,” analistas do Citi disseram ao FT.

Um negócio familiar de Barcelona, a Puig cresceu via aquisições de marcas de fragrâncias e abriu seu capital em 2024, mas vem sofrendo desde então com resultados abaixo das expectativas do mercado.

A empresa acaba de anunciar José Manuel Albesa como seu primeiro CEO de fora da família Puig, que ainda é sua controladora.

A Estée Lauder vale US$ 28,7 bilhões na Bolsa.

A Puig vale € 8,8 bilhões.




Matheus Prado






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