Todo mundo tem suas listas guardadas em algum caderno ou no celular: os restaurantes de que mais gosta, os lugares que já visitou ou ainda quer conhecer, os livros preferidos ou as séries que maratonou.
Agora, uma nova rede social propõe reunir todas essas listas num único lugar, permitindo compartilhá-las com amigos e gerar conversas em cima das dicas.
A TheLysts — fundada há pouco mais de um ano por Marcelo Mesquita, um dos sócios-fundadores da Leblon Equities — tem uma ambição ousada: se transformar na “rede social mais útil do mundo.”
“O grande problema da internet é a falta de confiança. Você pesquisa uma informação, olha uma sugestão de hotel ou restaurante, mas nunca sabe se aquilo é pago. A única dica confiável vem dos seus amigos, ou de algum expert reconhecido, como o Guia Michelin,” Mesquita disse ao Brazil Journal. “Na TheLysts você segue os seus amigos e vê todas as dicas deles.”

A rede social tem ganhado tração rapidamente. Mais de 125 mil pessoas já baixaram o aplicativo, a grande maioria nos Estados Unidos (cerca de 60 mil). Outros países relevantes são a China (8 mil), Singapura (7 mil) e Reino Unido (6 mil).
Desses usuários, cerca de 20 mil são ativos, ou seja, entram pelo menos uma vez por semana no aplicativo.
Mesquita disse que a rede social também cria valor por permitir se relacionar com outras pessoas com base em temas – algo que não acontece no Instagram, Facebook e TikTok.
“Temos grupos de amigos diferentes em diferentes assuntos das nossas vidas. Com o pessoal do trabalho talvez você queira compartilhar assuntos e listas relativos ao trabalho. Já com o pessoal do ciclismo você quer compartilhar listas de esportes. Na TheLysts dá pra fazer isso,” disse o fundador.
O app também tem funcionalidades inspiradas em outras plataformas. Assim como no Spotify, você pode copiar uma lista de alguém ou exportar algum item que está numa lista que você viu e incluir na sua.
Numa era em que o tempo é escasso, a TheLysts também criou uma ferramenta de inteligência artificial que ajuda os usuários a construir rapidamente suas listas. Quando o usuário escolhe o nome e tema da lista, a AI sugere as colunas que aquela lista vai ter e ajudar a buscar as informações na internet.
Se é uma lista de queijos, por exemplo, a AI vai sugerir colunas como ‘tipo de leite’, ‘tipo de fermentação’, ‘consistência’, ‘medalhas em concursos’, e por aí vai. Se for uma lista de restaurantes, ela pode buscar os endereços e já preencher automaticamente.
Outra automação: se o usuário tiver preenchido 3 ou 4 itens da lista mas estiver sem ideias para completá-la, a AI pode sugerir outros itens em função dos que a pessoa já colocou.
Como em todas as redes sociais, um dos desafios da TheLysts é gerar recorrência e engajamento — algo que parece mais difícil numa plataforma de listas (um tipo de conteúdo que não é produzido com tanta frequência quanto fotos e vídeos).
Mesquita pensa diferente. “Todo dia as pessoas recebem uma dica de alguém para fazer alguma coisa. Pode ser um filme que alguém indicou, um lugar novo para visitar que viu numa matéria, ou um restaurante novo que abriu no bairro,” disse ele. “Quando você tiver um lugar onde você possa colocar aquilo, a tendência é que as pessoas visitem ali com frequência.”
Há ainda o fator social. “A partir do momento em que seus amigos começam a fazer listas e postar, você vai ter curiosidade de ver essas dicas e vai entrar para ver,” disse Mesquita. “É um lugar para as pessoas conversarem, mas para conversarem sobre coisas úteis, coisas práticas que vão te fazer viver melhor.”
Outra aposta da startup é na atração de celebridades e influenciadores para a plataforma, o que ajuda a atrair mais usuários. Afinal, o fã de um um influencer quer saber seus restaurantes preferidos ou a série que ele está assistindo no momento.
Mesquita acredita que o modelo de TheLysts deve gerar uma retenção natural, já que “a pessoa que gasta um tempo fazendo suas listas não vai querer perder aquela informação. Isso deve fazer com que o churn seja baixo.”
Para estimular ainda mais a criação de conteúdo, a TheLysts está criando um programa de monetização dos creators. O app vai pagar aos usuários 50% de toda a receita com publicidade que suas listas gerarem.
Por enquanto, 100% da receita da The Lysts vem da publicidade do Google dentro do aplicativo. Com os usuários atuais, a startup ainda está queimando caixa, mas a expectativa do fundador é que ela chegue no breakeven quando atingir 100 mil usuários ativos, um crescimento de 5x em relação ao patamar atual.
Outras fontes futuras de receita serão assinaturas individuais (o usuário vai pagar US$ 2 por mês para não ver os anúncios), e corporativas (empresas poderão pagar um valor mensal para ter suas marcas e páginas dentro da plataforma). Outro plano é faturar com links de afiliados, com recomendações de produtos.
Desde que foi fundada, a TheLysts levantou US$ 1,5 milhão numa rodada com family & friends. Agora, ela fazendo uma segunda captação, de US$ 2 milhões, também com investidores-anjo.
