Na CSN, Benjamin jura que vai vender ativos – e rápido


Após garantir um empréstimo de até US$ 1,4 bilhão para equacionar sua dívida de curto prazo, a CSN disse que vai vender a CSN Cimentos e uma participação minoritária em seu negócio de infraestrutura. 

Mas para alguns gestores, a dúvida é a mesma de sempre: assim como em outros momentos, será que Benjamin Steinbruch não vai usar esse respiro para postergar a venda de ativos?

O próprio Benjamin jura que não.

“Vamos vender! Não há dúvidas em relação a isso. Temos que ser realistas com o atual nível dos juros,” ele disse ao Brazil Journal

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Minutos depois da entrevista, enviou um WhatsApp ao repórter: “Capricha! Temos que mostrar o Benjamin vendedor.” 

Segundo o empresário, nos próximos 30 dias devem ser finalizados os MOUs com os potenciais compradores, e uma shortlist deve vir dois meses depois.

Benjamin não confirma, mas até agora três grupos chineses já assinaram um MOU para a operação da CSN Cimentos. A J&F Investimentos, dos irmãos Batista, estaria correndo por fora.

“A CSN realmente trocou mandato por empréstimo. Agora, a meta é fechar as vendas antes da eleição,” disse um banco que lida com o empresário.

Já em infraestrutura, o perfil é mais claro: fundos e parceiros estratégicos interessados na fatia de até 40% que a CSN quer vender na ferrovia MRS, o terminal portuário Tecar, o terminal de contêineres no porto de Itaguaí, e o Grupo Tora, de transporte rodoviário.

“A infraestrutura tem condição de andar mais rápido porque é uma venda parcial e os investidores são conhecidos,” disse um banqueiro.

Internamente, a CSN está confiante de que vai levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, como anunciado em janeiro

“Os múltiplos são conhecidos e a CSN tem a certeza do valor,” disse uma fonte que participa das conversas. 

Enquanto as vendas não acontecem, a CSN levantou um empréstimo sindicalizado de até US$ 1,4 bilhão, com taxa atrelada ao juro dos EUA + 6% e prazo de cinco anos.

A operação antecipa parte dos recursos esperados com os desinvestimentos e será garantida pelos ativos que estão à venda.

“Foi importante porque é um passo para mostrar ao mercado que a gente está executando o plano,” disse Benjamin. 

Mas no mercado de crédito, a leitura é ambígua.

As debêntures da CSN seguem pressionadas – e até a CSN Mineração, considerada a joia do grupo, sofreu uma forte queda, com as debêntures chegando a negociar a cerca de 60% do valor de face antes de melhorar um pouco.

“Se vender é positivo. Se não vender, isso cria uma dívida sênior na frente dos outros credores. Isso vem impactando o preço das debêntures,” disse um gestor de crédito.

Tanto os papéis de dívida quanto as ações se recuperaram um pouco esta semana após a notícia do empréstimo, mas a ação permanece 35% abaixo do high deste ano, em janeiro; a ação também foi afetada pelo selloff causado pela guerra no Irã. 

A CSN fechou o quarto tri com alavancagem de 3,47x – uma alta de 0,34x em relação ao tri anterior.

Benjamin trata o empréstimo como um passo tático – não como solução definitiva.

Para ele, os oito bancos envolvidos – incluindo Morgan Stanley, Citi, HSBC, BB e Bradesco – reforçam a “bancabilidade” da companhia.

Enquanto isso, os gestores esperam.

“A empresa garantiu o caixa para os vencimentos de 2026 e 2027, mas está todo mundo esperando avançar a venda para voltar a olhar para os papéis,” disse um gestor que tem créditos da CSN.




André Jankavski








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