Representantes do Brasil e Reino Unido reforçam cooperação em saúde com foco em inovação e desafios climáticos — Ministério da Saúde


O evento “Diálogo Brasil – Reino Unido em Saúde” foi realizado na última quarta-feira (25), na capital fluminense, reunindo autoridades, especialistas e representantes institucionais de ambos os países. O encontro consolidou parcerias estratégicas fundamentais para impulsionar a inovação e ampliar o acesso a novas tecnologias em saúde.

Nesse cenário, a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, reforçou a importância do multilateralismo e da articulação internacional para impulsionar a inovação e garantir o acesso sustentável a tecnologias em saúde, tema central das políticas conduzidas pela pasta.

Segundo ela, o avanço dessa agenda depende de alianças consistentes, capazes de integrar esforços entre governos, instituições e setor produtivo. “Temos uma longa trajetória de cooperação, e o sistema de saúde brasileiro, em certa medida, foi inspirado no modelo britânico. Seguimos aprendendo com essa experiência, ao mesmo tempo em que também compartilhamos nossas próprias soluções e avanços. Essa troca é essencial para construirmos, de forma conjunta, respostas inovadoras, sustentáveis e alinhadas aos desafios globais da saúde”, destacou.

De Negri também ressaltou a necessidade de ação imediata diante dos impactos climáticos na saúde. “Estamos atuando em duas frentes: mitigar os efeitos das mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, adaptar nossos sistemas de saúde às consequências que já estão colocadas. Esse é um desafio concreto, presente e que demanda ação coordenada”, frisou.

O primeiro painel do encontro abordou novos caminhos para inovação e acesso a mercados. O debate evidenciou o papel estratégico de ambos os países como polos de pesquisa e desenvolvimento. O encontro contou ainda com a participação da gerente de Investimentos da ApexBrasil, Helena Brandão, e do oficial de desenvolvimento de negócios do Departamento de Negócios e Comércio do governo do Reino Unido, Henrique Pacheco.

Saúde digital e clima

Outro destaque do evento foi a mesa que discutiu o papel da inovação e da saúde digital para a resiliência da crise climática, com a participação da diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde Agnes Soares da Silva; do chefe de Clima e Saúde do Reino Unido no Brasil (FCDO), Lucas Almeida e a moderação ficou por conta do vice-presidente-adjunto de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Aurélio Nascimento.

A diretora Agnes destacou a relação indissociável entre saúde, meio ambiente e mudanças climáticas, defendendo o fortalecimento das cadeias de suprimento de insumos essenciais, como vacinas, diagnósticos e medicamentos. “Nosso objetivo é colocar a saúde no centro das discussões sobre mudanças climáticas. Não existe saúde humana em um planeta doente, e o setor precisa assumir protagonismo nessa agenda, no Brasil e no cenário internacional”, afirmou.

Agnes também enfatizou a necessidade de sistemas de saúde mais flexíveis e preparados para responder a crises. “A resiliência nasce nos territórios. Precisamos superar rigidezes estruturais e garantir respostas rápidas às emergências climáticas. Mais do que diagnosticar problemas, o desafio é ampliar soluções que já demonstraram eficácia”, completou.

Modelos de alto impacto para acelerar a inovação na saúde

Já o último painel do dia, analisou as parcerias para o futuro da saúde com a participação de universidades, governo e indústria para impulsionar a inovação. A agenda reuniu cientistas de referência internacional que discutiram a importância da união de todos esses setores para acelerar as entregas de tecnologias de ponta para a população.

Sob a mediação de Lygia da Veiga Pereira, pioneira no estudo de células-tronco e professora da Universidade de São Paulo (USP), o debate percorreu questões como a necessidade de quebrar as barreiras ainda existentes nesse ecossistema e a urgência de um esforço coordenado para superar a fragmentação entre a pesquisa científica e a produção em escala.

O destaque brasileiro foi o Programa de Inovação Radical em Saúde que busca impulsionar a criação de soluções inovadoras para atender às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS). O representante do Ministério da Saúde, Evandro Lupatini, destacou que a iniciativa é um exemplo de como a união entre governo, academia e indústria pode resultar em avanços significativos. “Quando o governo facilita processos, o resultado é direto: medicamentos mais baratos, diagnósticos mais rápidos e tratamentos disponíveis em menos tempo”, pontuou. 

O painel trouxe à tona modelos de alto impacto, como as promissoras vacinas contra o câncer da Universidade de Oxford, tecnologia projetada para ensinar o sistema imunológico a reconhecer e destruir células cancerígenas utilizando vetores virais. A iniciativa foi apresentada pelos professores representantes do Reino Unido Lennard Lee e Tim Elliott.

Participaram do debate a diretora do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), Maria Augusta Arruda, e o superintendente do AC Camargo Cancer Center, José Humberto Tavares Guerreiro Fregnani.

Rodrigo Eneas
Janine Russczyk
Ministério da Saúde





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