BofA rebaixa Suzano com preço mais baixo para a celulose; papel cai 6%


O Bank of America rebaixou a Suzano de ‘compra’ para ‘neutro’ e reduziu o preço-alvo para a ação de R$ 82 para R$ 57, argumentando que o mercado global de celulose entrou em um novo ciclo estrutural de preços mais baixos, o que vai afetar o EBITDA e o lucro da companhia dos Feffer. 

O papel despencou mais de 6% depois do relatório, com um leilão de 22 milhões de ações coordenado pelo BTG no início da tarde. A Suzano agora vale R$ 58,6 bilhões na Bolsa. 

O downgrade do BofA é o primeiro dentre as grandes casas de investimento que cobrem o papel. Hoje a Suzano tem cobertura de outros 15 bancos e corretoras, todos com recomendação de ‘compra’.

Para o BofA, o excesso de oferta — impulsionado pela expansão de capacidade na América Latina e uma maior autossuficiência da China — deve pressionar os preços por mais tempo, reduzindo o potencial de alta da ação.

O analista George Staphos disse que o downgrade reflete a alta exposição da Suzano “à volatilidade dos preços da celulose em um momento em que nos tornamos estruturalmente mais cautelosos em relação às perspectivas da commodity no curto e no longo prazo.”

Para ele, “o atual ciclo de alta da celulose está se aproximando do fim, sustentado por uma combinação de estoques acima da média nos portos chineses, baixa rentabilidade das fabricantes de papel, preços no mercado secundário e nos futuros sendo negociados abaixo dos benchmarks, a retomada de capacidade da Chenming [uma gigante chinesa de papel e celulose] e sinais iniciais de que as restrições florestais da Indonésia podem ser parcialmente revertidas ou flexibilizadas.”

Segundo o analista, esses fatores combinados apontam para uma dinâmica de preços mais fraca no curto prazo, o que deve pesar sobre os resultados da Suzano. 

“Ainda assim, a empresa continua num valuation saudável, negociando a cerca de 6,4x EV/EBITDA, além de oferecer um free cash flow yield para o acionista de aproximadamente 5,4% em 2026,” escreveu o analista.

O banco reduziu suas projeções para o EBITDA e lucro da Suzano e agora projeta um bottom line de R$ 5,9 bilhões para este ano e de R$ 5,8 bilhões para 2027, em comparação às projeções anteriores de R$ 6,9 bi e R$ 6,8 bi. A estimativa para o EBITDA também foi reduzida: R$ 21,3 bi para este ano e R$ 23,8 bi para o ano que vem (vs. R$ 22 bi e R$ 25,1 bi).

O BofA também reduziu sua projeção para o preço de longo prazo da celulose de US$ 600/tonelada para US$ 550/t, podendo ser ainda menor em cenários de estresse.

No relatório, o analista lembrou que uma das principais mudanças estruturais no mercado global de celulose na última década foi a rápida expansão da produção doméstica na China. 

“A produção chinesa de celulose de madeira aumentou significativamente, saindo de cerca de 12,6 milhões de toneladas por ano há cinco anos para aproximadamente 26 milhões de toneladas atualmente, impulsionada principalmente pela maior disponibilidade de madeira no país,” escreveu o BofA.

Como resultado, “a China deixou de ser um mercado quase exclusivamente baseado na demanda para se tornar um player relevante do lado da oferta, com implicações importantes para a formação de preços.”

Para o BofA, essa tendência deve continuar, já que a China tem um pipeline de projetos que devem adicionar 6 milhões de toneladas de capacidade.

Aliado a isso, há um pipeline relevante de novos projetos na América Latina, o que deve aumentar ainda mais a capacidade, contribuindo para o desbalanceamento entre oferta e demanda.

“O Brasil permanece no centro dessa onda de expansão. Projetos de grande escala representam quase 13 milhões de toneladas adicionais de capacidade de fibra curta que devem entrar no mercado nos próximos anos,” diz o analista. “Esses projetos devem começar a operar em um contexto de crescimento de demanda mais fraco, aumentando o risco de excesso de oferta persistente — e não apenas um aperto cíclico temporário.”

O relatório cita o projeto Sucuriú, da Arauco, que começará a operar no quarto trimestre de 2027; o projeto Natureza, da CMPC, previsto para 2029; uma nova planta da Bracell em Bataguassu, com 2,8 milhões de toneladas de capacidade; e uma potencial expansão da Eldorado, que está no pipeline há algum tempo.




Pedro Arbex






Source link

Leave a Reply

Translate »
Share via
Copy link