A perspectiva de que a JBS seja incluída no Russell 1000, um dos índices mais relevantes do mercado norte-americano, está levando o sellside a reiterar as recomendações de compra para a companhia da família Batista.
O Santander está otimista de que o rebalanceamento do índice, marcado para 26 de junho, pode gerar um fluxo de fundos passivos de cerca de US$ 230 milhões para a empresa dos irmãos Batista. Incluindo os fundos de gestão ativa, o fluxo potencial pode chegar a US$ 1,1 bilhão.
Hoje a JBS ainda tem pouca presença em ETFs – apenas 22,7% do free float está na mão desses fundos, enquanto peers como Tyson Foods e Pilgrim’s Pride chegam a 50%.
“Embora os critérios e a frequência de rebalanceamento variem entre os ETFs, acreditamos que a JBS pode vir a ser considerada para esses novos bolsões de alocação daqui para frente,” escreveram os analistas Guilherme Palhares e Laura Hirata.

O banco alerta que a elegibilidade da companhia para fazer parte do índice sempre foi alvo de discussão, já que a sede fiscal da JBS fica na Holanda.
Mas os analistas disseram que isso mudou após o mais recente formulário 20-F divulgado em março: a companhia teve mais de 50% de sua receita gerada nos Estados Unidos, além de atender outros critérios, como estar listada e ter presença relevante no país.
Além disso, a recente valorização da ação – que sobe 23% no ano, enquanto o Russell 1000 cai 4% — aumenta a probabilidade de uma inclusão com peso relevante no índice.
Já o BTG também vê a entrada no Russell 1000 como um catalisador, mas acredita que este seria apenas o primeiro passo para um objetivo maior: a entrada no S&P 500.
Os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla estimam que a JBS pode atrair até US$ 3 bilhões em fluxo passivo caso consiga entrar no principal índice da bolsa americana.
Mas o BTG aponta que o retorno para os investidores seria “more yield than alpha”, já que a reprecificação da companhia já ocorreu na visão dos analistas.
A visão dos bancos é a mesma do Stephens: o banco de investimento americano já havia alertado, no fim de março, que o Russell 1000 era um gatilho de curto prazo para os papéis.
Segundo o Santander, a JBS negocia a cerca de 6x EV/EBITDA para 2026, com um dividend yield acima de 5%, o que mantém um perfil ainda atrativo na visão dos analistas.
O atual preço de tela (US$ 17,48), inclusive, já superou o preço-alvo do Santander, de US$ 17. O BTG vê a ação a US$ 21 nos próximos 12 meses.
Mas os bancos também alertam riscos importantes para a tese: o ciclo do gado nos Estados Unidos, pressões de custos com grãos no Brasil e eventuais restrições sanitárias podem afetar as margens da companhia. Há também o histórico de governança e a sensibilidade ao câmbio.
A ação da JBS sobe 26% nos últimos doze meses. A empresa vale US$ 18,7 bilhões na NYSE.
