A Motiva está projetando um impacto “limitado” da guerra no Oriente Médio e do choque dos preços globais do petróleo sobre seus resultados deste ano.
A companhia de infraestrutura prevê investir R$ 6,3 bilhões em 2026 – boa parte em obras que exigem um uso intensivo de derivados do petróleo, como o diesel e asfalto.
“Mas 85% desse capex já está contratado, com condições estabelecidas a priori, e portanto isso mitiga muito o risco de variações,” disse Miguel Setas, o CEO da Motiva, ao participar hoje de um evento do Bradesco.

“O cenário com que trabalhamos é de um impacto de low single digit, marginal, em nosso fluxo de geração de caixa com os efeitos da guerra,” disse Setas.
Também foram realizadas simulações considerando cenários de “Armageddon”, muito mais extremos, “mas ainda assim a companhia é muito resiliente.”
“Nós fizemos contas, trabalhamos com cenários de estresse, estatística, fazendo análise de Monte Carlo. Petróleo a US$ 180 por barril, a US$ 140, a US$ 100, por 12 meses, por 18 meses. Temos vários cenários internamente na companhia,” disse Setas.
Segundo ele, os gastos com cimento asfáltico de petróleo (CAP) representam cerca de 4% do capex previsto – “um efeito muito limitado.”
Já os custos com diesel são mais representativos, 10%, mas acabam em boa parte assumidos pelos fornecedores contratados pela companhia.
Setas também disse que medidas do Governo para conter os preços dos combustíveis, como a aprovação de subsídio ao diesel e corte de impostos, ajudam a aliviar os impactos.
A Motiva encerrou 2025 com uma dívida líquida de R$ 34,1 bilhões. A alavancagem financeira ficou em 3,6x, mas deve cair para cerca de 3x após a conclusão da venda do negócio de aeroportos ao grupo ASUR, anunciada no final de 2025 por R$ 11,5 bilhões de enterprise value.
Setas disse que a saída dos aeroportos resultará em uma “simplificação estrutural” na carteira de ativos da companhia e foi um movimento com sentido estratégico.
“Eram ativos que adicionavam muita complexidade ao nosso portfólio. E em potencial de geração de valor, de crescimento, de consolidação do mercado, não iam estar na nossa agenda, no nosso radar futuro.”
A Motiva vale R$ 32,4 bilhões na B3. A ação acumula alta de 41% em 12 meses.
