Carta-fiança do Master vira pó, disparando mais uma RJ no setor elétrico


O grupo IBS Energy entrou com um pedido de recuperação judicial, somando-se à recente onda de quebradeira no mercado de comercialização de energia em meio à volatilidade dos preços no setor.

Mas a crise da IBS, que tem subsidiárias de geração e trading de energia, está associada também à liquidação do Banco Master, disseram fontes ao Brazil Journal.

Enquanto a IBS já sofria com a turbulência no mercado elétrico, uma empresa do grupo investia milhões em uma usina de biomassa verde, num projeto que contou com financiamento da Finep. 

O choque foi quando uma das garantias dadas para o empréstimo da Finep virou pó: era uma carta-fiança do Banco Master.

A IBS passou a precisar de uma nova garantia, mas, ao mesmo tempo, os bancos se assustavam com os problemas financeiros de diversas comercializadoras de energia e se retararam.

Na Justiça, a IBS alegou que “a crise do setor de energia elétrica, aliada ao aumento da percepção de risco das comercializadoras, resultou em severa restrição de crédito e maior rigor por parte das instituições financeiras.”

Só neste ano, a Elétron Energy pediu recuperação judicial, a Tradener entrou com medida cautelar para mediação com credores, e a Boven foi desligada pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), entre outros casos.

Com uma estrutura de garantias cruzadas entre suas subsidiárias e problemas também nas operações de trading, o Grupo IBS temia que rescisões de contratos e vencimentos antecipados de dívidas criassem uma espiral destrutiva.

Recentemente, enquanto preparava o pedido de RJ, a empresa já demitiu diversos funcionários, de acordo com fontes.

Nos documentos à Justiça, a IBS disse que seu caso “não é isolado, mas inserido em crise setorial ampla, caracterizada por instabilidade de preços, restrição de crédito, deterioração da liquidez e aumento do risco contratual.”

Os advogados da IBS também sustentam que há uma “ruptura estrutural do setor, de natureza sistêmica.”

No pedido de recuperação, a IBS explicou ainda que o Banco Master havia emitido carta-fiança em favor de uma empresa de seu grupo, a holding International Business, dentro da estrutura garantidora do projeto de geração UTE Cidade do Livro. 

A empresa alegou em juízo que uma nova garantia em condições similares “não se mostra viável no ambiente atual de mercado”, citando que “diversos agentes do setor vêm adotando medidas de reestruturação, inclusive por meio de recuperação judicial.”




Luciano Costa








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