O Brasil tem “sobra” de energia limpa. Eles querem transformar em bitcoin


Todos os dias, diversas usinas eólicas e solares pelo País precisam ser desligadas em alguns momentos para evitar um excesso de geração na rede elétrica que poderia desestabilizar o sistema e levar a blecautes. 

Este corte na produção de energia, conhecido como curtailment, está afastando investidores do setor de renováveis, mas começa a ser visto como oportunidade em um outro nicho: o dos bitcoiners.

Criada por um empresário com experiência anterior em criptoativos e no mercado financeiro, a Radius Mining está negociando acordos com geradores para transformar em Bitcoin ao menos parte da energia que hoje é perdida.

Para estrear nessas operações, a Radius levantou R$ 28 milhões com seus fundadores e em uma rodada inicial de captação. Um dos investidores que entrou para o captable foi Leonardo Midea, antigo sócio da Prime Energy, uma comercializadora e consultoria vendida à Shell em 2023. 

“Na mineração de cripto, 95% do custo operacional (opex) é a energia. É um setor eletrointensivo mesmo. Por que não juntar isso? A proposta casou muito bem como o know-how que já tenho do setor elétrico,” disse Midea ao Brazil Journal

O plano da Radius é assinar acordos com empresas de renováveis para instalar equipamentos de mineração de Bitcoin dentro da área de suas usinas. 

As máquinas não seriam ligadas ao grid, mas diretamente à geração, permitindo “driblar” o curtailment – que ocorre quando o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) vê excesso de energia injetada na rede.

“Muitos geradores estão tendo 40%, 60% de sua energia cortada. Pelo menos uma fração disso seria entregue para nós e faturado normalmente para eles,” disse o fundador e CEO da Radius, Flávio Hernandez.

“Estamos com três negociações bem avançadas. O que nós já temos, e normalmente é o mais complexo, é o capital. Muita gente fala que vai fazer, mas por ser algo ainda muito novo, o capital não aparece.”

A Radius está perto de um primeiro acordo (proof of concept) envolvendo 6 megawatts médios em energia – dá para abastecer por um mês uma cidade de 24 mil pessoas. Com outras conversas em andamento, há potencial para atingir 50 MW médios.

Pelo modelo de negócios, a empresa importará os equipamentos de mineração, fará sua operação e manutenção e ficará com os Bitcoin gerados.

Os formatos dos acordos de fornecimento de energia com os geradores serão avaliados caso a caso.

Até porque a mineração de Bitcoin não precisa usar só energia que seria desperdiçada – na verdade, o retorno é maior quanto mais tempo os equipamentos ficarem ligados.

A Radius também avalia parcerias com players que instalaram usinas solares para fornecer energia “por assinatura” e não conseguiram vender todo o volume, acumulando créditos encalhados.

Enquanto busca seu primeiro acordo para mineração própria, a Radius já assinou um contrato para fornecer serviços de operação e manutenção (O&M) à AXIA Energia, em um projeto de pesquisa e desenvolvimento (P&D) para uma operação proprietária de Bitcoin a partir de um parque eólico na Bahia. 

Além da AXIA, outros grupos de renováveis estão estudando o tema dos criptoativos, como Renova Energia, Serena Energia e Casa dos Ventos. 

“Provavelmente neste ano e no próximo vamos ver os primeiros projetos. Diria que tem projetos aí para uns 500 MW médios (em demanda de energia), contando com os nossos”, disse Hernandez.

Só em 2025, o Brasil “jogou fora” cerca de 20% da energia eólica e solar devido aos cortes de geração, segundo estudo da Volt Robotics. A consultoria estimou em R$ 6,5 bilhões a perda de receita das empresas de renováveis com o curtailment.




Luciano Costa








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