A Astor, uma startup fundada por dois brasileiros nos Estados Unidos, acaba de fechar uma rodada liderada pela Monashees para criar uma ferramenta que usa inteligência artificial para tentar substituir os assessores financeiros.
A captação de US$ 5 milhões (R$ 26 milhões ao câmbio de hoje) também teve a participação do Y Combinator, Goodwater Capital e de investidores-anjo, incluindo executivos da Stripe e OpenAI.
A Astor foi fundada por Bruno Koba e Daniel Tulha. Koba começou a carreira no Nubank, passando dois anos na área de data science. Saiu para trabalhar como analista da Monashees, onde ficou até 2023, cobrindo principalmente fintechs.

“Nessa época comecei a pensar em empreender e decidi me mudar para os Estados Unidos para aprender como as melhores startups nascem e crescem,” ele disse ao Brazil Journal.
Fazendo seu MBA em Stanford, ficou dois anos procurando co-founders e teses para se aprofundar. Foi lá que conheceu Tulha, que havia trabalhado anos na Stripe e também queria empreender.
Segundo Koba, a decisão de entrar no mercado de investimentos teve a ver com o fato dos dois adorarem investir e cuidarem do próprio dinheiro.
Além disso, “com a forma como os modelos de AI estavam avançando, vimos que as pessoas iam usar cada vez mais eles para tomar decisões financeiras. Então por que não criar um produto focado nisso? Que tenha o contexto de sua vida financeira e investimentos e te ajude a tomar decisões,” disse ele.
Com seu aplicativo lançado há apenas dois meses na App Store, a Astor já tem US$ 200 milhões em investimentos conectados. A receita vem de uma assinatura mensal que vai de US$ 15 a US$ 45. (A empresa não abre o número de assinantes.)
Para operar nos EUA, a startup obteve recentemente uma licença de ‘digital investment advisor’ que lhe permite dar aconselhamento financeiro a clientes americanos. O plano de longo prazo é expandir globalmente, o que inclui o Brasil e demandará licenças locais.
Ao baixar o aplicativo, a primeira coisa que o usuário faz é conectar todas as suas contas de corretoras e bancos. Depois disso, ele preenche um formulário para a Astor avaliar seu perfil de risco e, na sequência, agenda uma call de onboarding com a AI da plataforma.
Depois dessa call, que é feita por ligação de voz simulando uma conversa real com um assessor, a plataforma passa a dar dicas e conselhos financeiros.
O próximo passo, segundo Koba, é criar uma ferramenta que execute as ordens dos clientes e, futuramente, criar uma solução que faça a gestão de parte da carteira dos clientes de forma automatizada.
A Astor vai usar boa parte dos recursos da rodada para investir em expansão, buscando crescer num mercado que ainda está longe de ter um vencedor claro. Outras startups com a tese da Astor também estão bem no começo do desenvolvimento do produto.
“A Origin já tem alguns anos no mercado, mas eles eram focados em finanças pessoais e o produto de AI adviser eles só lançaram ano passado,” disse Koba. Já a Portfolio Pilot “fazia análise de portfólio usando modelos matemáticos, e também só lançaram no ano passado a solução de assessor de AI.”
Há ainda incumbentes como a Robinhood que estão se aventurando nesse mercado, “mas nenhum deles ainda pulou de cabeça na tese,” disse o fundador.
Para o usuário final, um dos grandes benefícios da Astor é o custo. Enquanto um assessor financeiro cobra em torno de 1% do patrimônio por ano em comissão, a Astor cobra uma assinatura de US$ 120 por ano.
“Além disso, o usuário tem um assessor a qualquer hora do dia, 24/7, para fazer perguntas e esclarecer qualquer dúvida. Em termos de resultado ainda não dá para dizer, porque lançamos há apenas dois meses, mas nossa tese é que tendo um assessor disponível o tempo todo isso vai se refletir numa rentabilidade maior,” disse o fundador.
Inicialmente, a Astor não está mirando o mesmo perfil de cliente dos assessores financeiros, que normalmente miram portfólios com mais de US$ 500 mil.
A startup está buscando os HENRYs –‘high earners, not rich yet’ – jovens que ganham um bom salário mas ainda não conseguiram construir patrimônio. Esse público normalmente tem acesso apenas a um assessor gratuito das corretoras e dos bancos, que normalmente não oferecem a melhor experiência, segundo Koba.
“Queremos ser o primeiro assessor que essa pessoa vai ter. Esse é o mercado que estamos atacando agora. No futuro, podemos lançar uma solução para atender os clientes que já são atendidos pelos assessores, mas seria um novo produto, provavelmente com a oferta de um atendimento humano turbinado com AI,” disse ele.
