Heineken surpreende com alta de preço – um alívio para a Ambev


A Heineken disse ontem que seu volume de vendas de cerveja no Brasil caiu no primeiro trimestre – mas sua receita subiu, impulsionada por um aumento de preços nos “high single-digits,” além de um mix melhor.

Este breve comentário sobre o Brasil no report global da fabricante holandesa sinaliza uma mudança relevante na dinâmica do setor, com um ambiente competitivo mais racional que tende a beneficiar a Ambev.

“A maior surpresa foi a Heineken reportar um aumento de ‘high-single-digits’ nos preços médios, mesmo com a marca Heineken tendo performado pior que a Amstel e a Sol,” escreveu o analista Thiago Duarte, do BTG Pactual.

O banco estima que o preço médio da Ambev no segmento de cerveja esteja subindo apenas 5,4% no Brasil na comparação anual. 

O dado da Heineken, portanto, pode indicar duas coisas, segundo o analista: ou a Heineken voltou a subir seus preços mais que a Ambev (algo que ela fez de forma consistente por muitos anos, mas que não aconteceu em 2025) ou o BTG errou para baixo em suas estimativas de preço da Ambev para o tri.

“De qualquer forma, num mercado em que o preço parece ter voltado a ser o principal motor de crescimento das vendas, isso pode trazer algum otimismo em relação à estratégia de preços da Ambev ao longo do ano,” diz o analista.

Para o BTG, os números da Heineken são neutros para as expectativas de volume da Ambev (que é de uma queda de 3,6%), mas sugerem um upside risk para o preço no trimestre.

“Além disso — e talvez ainda mais importante —, após a expansão de capacidade produtiva da Heineken em 2025, esperávamos que a empresa adotasse uma estratégia mais focada em volume (e possivelmente mais promocional) antes de conseguir utilizar plenamente essa capacidade,” escreveu o analista.

“Até agora, isso não aconteceu, o que resulta em um ambiente competitivo mais benigno do que imaginávamos. Portanto, há uma leitura marginalmente positiva nesse sentido.”

Um executivo do setor disse ao Brazil Journal que a Heineken teve que começar a aumentar preços no final do ano passado por uma questão de posicionamento.

“Eles estavam promocionais demais com a marca Heineken, e com isso vinham dando acesso às classes C e D. Tiveram que aumentar para não perder o posicionamento premium,” disse ele.

Esse executivo disse ainda que, quando a Heineken fez este aumento, a Ambev reagiu baixando o preço da Spaten e subindo o da Corona e da Stella sem glúten.

“A estratégia de portfólio e ação de mercado da Ambev está muito mais eficiente que a da Heineken. Parece que a Ambev está dando um nó neles,” disse ele, acrescentando que não acharia estranho se a Ambev surpreendesse positivamente nos resultados do primeiro tri, que serão divulgados no dia 5 de maio.

De qualquer forma, a ação da Ambev não reagiu aos números da Heineken. O papel negociou em baixa ontem e hoje. 

A ação da Ambev sobe 2,2% nos últimos doze meses, enquanto o Ibovespa sobe 41,5%.




Pedro Arbex








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