A Maha Capital, a empresa listada na Bolsa de Estocolmo que tem a gestora brasileira Starboard como acionista de referência, assinou hoje uma carta de intenções para se fundir com o SPAC americano BWIV – numa transação que avalia a companhia em US$ 490 milhões (pre-money).
A Maha nasceu como uma empresa de petróleo mas mudou de foco ao se fundir com a fintech americana Keo World, que atende grandes empresas com soluções de cartões de crédito corporativo, pagamentos digitais com cartão e antecipação de recebíveis.
Apesar desta mudança de personalidade, a Maha ainda tem um pé no petróleo. Ela é dona de 24% de um campo na Venezuela, o Petrourdaneta, que é próximo à região petrolífera de Maracaibo e vizinho de campos operados pela Chevron. Além disso, a Maha ainda tem uma call option para mais 16% do campo que pode ser exercida até o final de maio.
Este campo hoje produz só 2 mil barris por dia, uma fração do que já produziu no passado e de seu potencial. Nos anos 1950, o Petrourdaneta chegou a produzir 250 mil barris/dia, e a estimativa da Maha é que ele possa voltar a produzir 40 mil barris/dia em quatro anos, depois de ser revitalizado.
Se aprovada, a fusão com o SPAC injetará US$ 130 milhões no caixa da Maha, que já tem um caixa líquido de US$ 140 milhões.
O plano pós-fusão é separar o negócio em dois – a fintech e o campo na Venezuela –, com cerca de metade dos recursos ficando em cada uma das empresas.
As duas companhias serão listadas na Bolsa de Nova York, onde o SPAC é listado hoje.
Dada a experiência da Starboard no setor de petróleo (foi ela que criou a 3R no Brasil), a ideia é que ela fique mais focada na companhia de petróleo, com o plano de adquirir outros ativos na Venezuela se aproveitando da recente abertura do mercado pós-Maduro.
“Existem muitos campos em que a PDVSA quer aumentar a produção, então queremos colocar mais ativos nessa nossa plataforma,” o chairman da Maha, Paulo Mendonça, disse ao Brazil Journal. “Com a experiência que tivemos com a 3R, acho que estamos muito bem posicionados para fazer isso.”
A Venezuela anunciou recentemente que quer aumentar sua produção anual de petróleo de 1 milhão de barris para entre 2,5 milhões e 3 milhões e a ideia é “capturar uma parte desse crescimento,” disse o executivo.
Mendonça disse que além dos recursos do SPAC a nova empresa de petróleo pode buscar um follow-on no futuro para financiar esse plano de M&As.
Outra frente estratégica será a extração de gás. O campo de Petrourdaneta tem uma reserva relevante de gás, mas hoje todo o gás produzido é queimado. A ideia da Maha é criar uma infraestrutura de mini geradores que permita aproveitar esse gás para gerar energia.
No médio prazo, há ainda a possibilidade de injetar o gás no gasoduto que liga a Colômbia e a Venezuela, cuja reabertura foi anunciada recentemente. “Esse gasoduto passa em cima do nosso campo, então seria muito fácil injetar esse gás nele e vender para a Colômbia quando ele for reativado,” disse ele.
Após a fusão com o SPAC, os acionistas da Maha ficarão com 75% do capital da empresa, enquanto os acionistas do SPAC terão os 25% restantes.
Hoje a Starboard tem 15% do capital da Maha, enquanto o maior acionista é o fundador da Keo World, Paolo Fidanza, com 40% das ações. A DBO Invest tem outros 5,9% do capital; fundos do BTG tem 1,1%.
O BWIV (Blue Water Acquisition Corp IV) é um SPAC que fez seu IPO há apenas um mês e cujo sponsor é Joseph Hernandez, um gestor americano que já levantou outros três SPACs.
