O novo economista-chefe do Itaú. (No BC, seu antigo cargo continua vago)


Diogo Guillen, o ex-diretor de Política Econômica do Banco Central que encerrou seu mandato em dezembro, será o novo economista-chefe do Itaú, assumindo o cargo que há quase uma década vem sendo ocupado por Mário Mesquita – outro ex-diretor de Política Econômica do BC.

Guillen, formado em Economia pela PUC-Rio e com PhD em Princeton, assumirá o comando da equipe de análise macro do banco em 1º de julho, depois de ter cumprido os seis meses de quarentena. Ele passou os últimos meses em Stanford, como visiting scholar.

Antes do BC, já havia trabalhado no grupo como economista-chefe da Itaú Asset.

Em novembro passado, em seu último evento público antes de deixar o BC, Guillen falou em um seminário da FGV sobre o aprimoramento na comunicação e no processo de tomada de decisões do BC.

Na ocasião, o ex-diretor comentou o desalento interno na instituição com relação às condições de trabalho, ante a perda de quadros técnicos e restrições financeiras.

“Obviamente, exige gente motivada,” disse o economista. “Com dez anos sem concurso e sem ganho de renda, não precisa ser um ás de RH para imaginar como está a motivação no Banco Central.”

“Um tema que eu persegui bastante foi a autonomia financeira, administrativa, mas sem sucesso,” comentou. “Isso aí seria para nivelar o BC aos pares e para melhorar o arcabouço regulador.”

A PEC da autonomia administrativa e financeira do BC permanece emperrada no Senado – e, nos bastidores, conta com oposição ferrenha do Governo.

Mesquita, que estava na liderança da área desde julho de 2016, sairá no final do mês em razão de uma exigência estatutária do banco. Ele fez 60 anos em setembro, e por isso não pode ocupar cargo de diretoria. Ficará como consultor até a chegada de Guillen e depois deve tirar um período sabático. Mas ainda não definiu o seu futuro profissional.

“O certo é que não vou parar de trabalhar,” Mesquita disse ao Brazil Journal. “Depois dos meses de sabático, planejo atuar naquilo que eu gosto, que é macro e mercado.”

No Banco Central, a diretoria de Guillen continua vaga. 

A diretoria de Política Econômica (Dipec) vem sendo acumulada interinamente por Paulo Picchetti, diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos (Direx). Está vaga também a diretoria de Organização do Sistema Financeiro e Resolução (Diorf), que vem sendo acumulada pelo diretor de Regulação (Dinor), Gilneu Vivan.

Fernando Haddad, antes de deixar a Fazenda, indicou dois nomes para as diretorias: Guilherme Mello, professor da Unicamp que foi secretário de Política Econômica da Fazenda, e Tiago Cavalcanti, professor da Universidade de Cambridge. Há duas semanas, Mello assumiu a presidência do conselho da Petrobras.

As nomeações para o BC não avançaram, em meio ao troca-troca geral de cargos na Esplanada em razão das eleições que se aproximam. O Presidente Lula estaria também esperando a aprovação do Senado da indicação de Jorge Messias para o STF.




Giuliano Guandalini








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