A Energisa vendeu uma parte de suas linhas de transmissão à Taesa, numa transação que vai reduzir sua alavancagem e potencialmente evidenciar o valor do restante de seu portfólio.
O acordo com a Taesa, a transmissora que tem como principais acionistas a Cemig e a colombiana ISA, foi avaliado em R$ 2,29 bilhões (enterprise value).
Os cinco ativos envolvidos na transação têm uma dívida líquida de R$ 748 milhões, resultando em um equity value de R$ 1,54 bilhão.

A Energisa encerrou o primeiro tri com alavancagem em 3,5 vezes – abaixo dos covenants acertados com seus credores, de 4,25x, porém no teto da política interna de endividamento definida pelo conselho da companhia.
Além da desalavancagem, outro racional por trás do M&A foi destravar valor para o restante do portfólio de transmissão, que a empresa entende como subavaliado pelo mercado.
“Os analistas de sellside, quando faziam a avaliação da companhia pela soma das partes, estavam valorizando esses ativos em 7 a 8 vezes EBITDA. Conseguimos vender a 10x EBITDA,” o CFO Maurício Botelho disse ao Brazil Journal.
“Para esse lote de ativos vendidos, isso dá mais ou menos R$ 500 milhões em geração de valor. Em uma conta rápida, R$ 1 por unit. Então o mercado deveria reprecificar o restante.”
Por esse raciocínio, a reprecificação dos ativos de transmissão que continuam com a Energisa poderia gerar mais R$ 2,70 por unit, segundo o CFO.
A Energisa está se desfazendo de um total de 1,3 mil km de linhas, além de 12 subestações. Os ativos representam 27% de sua receita anual permitida (RAP) no segmento, considerando projetos operacionais e em construção.
A indústria de transmissão de energia tem atraído forte apetite nos últimos anos por oferecer contratos de longo prazo com receitas previsíveis e reajustadas pela inflação.
Passado o risco de construção dos projetos, é praticamente uma receita fixa – o que colocou o setor no radar de investidores incluindo grupos estrangeiros de energia e gestores de fundos de pensão canadenses.
Na semana passada, por exemplo, a canadense CDPQ e o colombiano Grupo Energía Bogotá anunciaram a fusão de suas operações de transmissão no Brasil, criando o quinto maior player do setor, conforme antecipado pelo Brazil Journal.
Na Energisa, os investimentos em transmissão começaram em 2017, em meio a um esforço de diversificação da companhia fundada em 1905.
A distribuição de energia continua o carro-chefe do grupo, com operações centenárias que respondem por 85-95% do EBITDA.
A Energisa também tem ativos de geração renovável e em gás natural, com o controle da ES Gás e participações minoritárias em distribuidoras de gás no Nordeste.
Para o CFO, inclusive, o negócio de gás “é outro que talvez não apareceu ainda para os olhos dos investidores.”
“Ele está crescendo bem, em termos de margem e EBITDA, e vai vir mais volume,” disse Mauricio.
O BTG Pactual assessorou a Energisa.
O Bank of America assessorou a Taesa.