Médica de família ‘dirige Chevette e namora Creisom’ em apostila para concurso


Atendimento em Posto de Saúde da Família em Novo Gama (GO) | Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil

Crédito, ABr

Legenda da foto, Médicos de família e comunidade estão no centro de programas de governo e propostas para a saúde

“Ao ouvir as histórias dos amigos, você ficava triste: os dermatologistas, todos bem de vida (…); o pessoal da cirurgia plástica chegando de carro importado e você caladinha, envergonhada de estar em um fim de mundo, dirigindo seu Chevette hatch, ano 87, com três calotas, e namorando Creisom, motorista da ambulância do seu município…”.

Esta é a descrição de um hipotético encontro de colegas de Medicina que aparece em uma apostila do Medcurso, o principal curso preparatório para concursos médicos no Brasil. A situação descrita acima introduz uma série de perguntas sobre a atenção básica de saúde. A “motorista do Chevette”, que aparece envergonhada, é uma médica que optou por atuar em um Posto de Saúde da Família (PSF) em uma cidade do interior. O material do curso preparatório chega a dizer ainda que líderes de esquerda como Hugo Chávez e Evo Morales seriam os “heróis” dos médicos que trabalham com atenção básica.

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Leia mais: Enfraquecido, programa de saúde da família é unanimidade entre candidatos</caption><url href=”http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/09/140921_salasocial_eleicoes2014_saude_candidatos_cc.shtml” platform=”highweb”/></link>

A apostila ilustra a imagem que médicos de família e comunidade – que atuam majoritariamente no SUS e em postos de saúde – têm entres os profissionais de Medicina no Brasil. Apesar de estarem no centro de programas de governo – como o Mais Médicos – e das propostas de candidatos à Presidência para a saúde, os médicos de família são ainda uma especialidade pouco conhecida da população e pouco procurada dentro das escolas de Medicina: dos cerca de 390 mil médicos no país, apenas cerca de 4 mil são médicos de família, cerca de 1% do total.

Profissionais que optaram pela especialidade relatam sofrer preconceito entre professores e colegas, apesar da importância da categoria no atendimento aos problemas de saúde mais básicos que afetam os brasileiros. “Sou formado há 12 anos e aconteceu em vários momentos em encontros de turma de me perguntarem quando farei uma especialidade de verdade”, disse Rodrigo Lima, diretor da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, à BBC Brasil.



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