Ânima: Controladores compram mais ações em meio a selloff


A ação da Ânima Educação sobe quase 10% hoje depois que membros do grupo de controle aumentaram sua participação na empresa em meio à implosão do papel ontem.

Daniel Castanho, o chairman da companhia, e Rômulo Castanho, irmão de Daniel, compraram mais 7% da companhia, elevando a participação do grupo de controle de 29,9% para 36,9%. 

O grupo de controle é composto pelos acionistas originais da Anima, um grupo de 11 empresários liderado por Daniel, Rômulo e Marcelo Battistella Bueno. Também fazem parte do acordo de acionistas o CFO Átila Simões e Mauricio Escobar. 

A queda de ontem teve a ver com a avaliação do mercado de que a Ânima pagou caro pela FMU. Considerando a dívida da FMU, o enterprise value da transação foi de R$ 560 milhões, um múltiplo EV/EBITDA de 10,6x – muito acima dos 3,3x que a própria Ânima negocia na Bolsa.

Também pesaram na ação as especulações de que a Ânima teria sido obrigada a comprar a FMU por conta de uma put que o Farallon Capital teria da época em que a gestora adquiriu o ativo da companhia.

A potencial put foi citada num relatório do Citi e reportada hoje pela Exame.

A Ânima negou peremptoriamente a existência dessa put e disse que se trata apenas de boatos de mercado. 

Uma fonte próxima à companhia disse ao Brazil Journal que a maior prova de que a put não existe é o fato da FMU ter entrado em recuperação judicial.

“Se o Farallon tivesse uma put, qual seria a lógica da FMU ter entrado em recuperação judicial?” questionou essa fonte. “Se essa opção realmente existisse, eles a teriam exercido antes de ter todo o trabalho de entrar em RJ.”

Para esta fonte, o preço pago pela FMU não foi caro; o problema é que as referências de mercado estão fora do lugar. 

“Não faz sentido uma empresa de receita recorrente negociar a 3,3x EBITDA, tanto que os negócios privados estão todos saindo a múltiplos maiores. Além disso, o EBITDA da FMU está totalmente estressado, o que distorce muito o múltiplo.”

Essa fonte lembrou ainda que a Ânima está pagando apenas R$ 240 milhões à vista; o restante será pago em três anos com a geração de caixa da própria FMU.




Pedro Arbex








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