A Vports quer provar que privatizar os portos funciona no Brasil


A única autoridade portuária privatizada do Brasil quer provar que a concessão de autoridades portuárias pode ser um bom negócio no País.

A Vports – criada a partir da desestatização  há quatro anos da antiga Companhia Docas do Espírito Santo e tratada como um projeto-piloto pelo então ministro Tarcísio de Freitas – opera três portos no Espírito Santo (Vitória, Vila Velha e Barra do Riacho).

Os resultados já estão aparecendo.

Desde a concessão, a movimentação cresceu cerca de 15%, de pouco mais de 7 milhões para mais de 8 milhões de toneladas, com os portos ganhando tração em importações, contêineres e cargas de maior valor agregado. 

A companhia fez uma receita líquida de R$ 312 milhões em 2025 – dobrando de tamanho em relação ao período anterior à concessão. O EBITDA, por sua vez, subiu 240% para R$ 220 milhões. 

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“Operar como um porto privado nos permite muito mais agilidade e flexibilidade na construção de parcerias,” o CEO Gustavo Serrão disse ao Brazil Journal.

Apesar de ser comum em países como Reino Unido e Austrália, a concessão de autoridades portuárias sempre empacou no Brasil, especialmente por dúvidas sobre o modelo jurídico a seguir e outros receios regulatórios, incluindo o risco de conflito entre quem administra o porto e quem opera dentro dele.

Por isso, o País avançou por décadas no arrendamentos de terminais específicos, mas não na privatização completa da gestão dos portos. Na quase totalidade dos casos, a administração continua na mão do Estado. 

Segundo o CEO, a Vports funciona como uma espécie de “shopping” logístico.

“A autoridade portuária é como um shopping – a gente organiza o espaço e os parceiros são as lojas que atendem o cliente final,” disse Serrão.

Desde a concessão já há R$ 1,5 bilhão em investimentos contratados – em um modelo que combina capital da própria Vports e de parceiros, dependendo da necessidade de cada projeto.

A expectativa é elevar a capacidade em até 60% nos próximos cinco anos, à medida que novos projetos entram em operação e atraem mais cargas. 

Um desses movimentos aconteceu esta semana.

A VLI e a Multilift – uma empresa que atua em operações portuárias, de armazenagem e transporte rodoviário – anunciaram uma parceria com a Vports para construir uma “moega ferroviária” dentro do porto de Vitória, além da reativar e modernizar a malha ferroviária que conecta o cais às principais ferrovias do País.

(Glossário: Moega é uma estrutura em formato de funil que permite a descarga direta de cargas de vagões ou caminhões para correias transportadoras ou silo)

Ao todo, o investimento soma cerca de R$ 130 milhões em infraestrutura ferroviária e portuária, além de aportes adicionais da Multilift.

A operação começa no segundo semestre: os primeiros trens devem rodar em julho, com embarques já previstos para agosto.

Segundo Serrão, o objetivo é criar um fluxo logístico integrado. 

Hoje, parte relevante das cargas (principalmente de ferro-gusa) chega ao porto de forma fragmentada: o trem para antes do cais, a carga é descarregada, armazenada e depois transportada por caminhão até o embarque. Com a nova estrutura, esse processo desaparece. 

“Você tira uma etapa do processo logístico. Antes, o trem parava fora do porto. Agora ele entra direto e descarrega ali dentro,” disse Serrão, que acredita que o Espírito Santo tem uma posição estratégica que pode tirar espaço de outros portos. 

“A gente acredita que essa solução vai atrair carga que hoje está em rotas menos eficientes.”




André Jankavski








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