Adeus dividendo extra: Paraná quer aliviar tarifa com precatório da Sanepar


A agência reguladora do Paraná jogou um balde de água fria nos acionistas da Sanepar, ao propor que toda a receita da companhia estadual de saneamento com um precatório de quase R$ 4 bilhões seja destinada aos consumidores. 

A ação preferencial da Sanepar despencava mais de 7% no começo do pregão com a notícia. 

A expectativa no mercado até então era de que ao menos parte dos ganhos com o precatório ficaria com a empresa, sendo distribuída aos acionistas por meio de um dividendo extraordinário. 

A proposta da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Paraná (Agepar) foi divulgada ontem à noite e será submetida a um processo de consulta pública até o final de abril. 

O valor é decorrente de uma disputa judicial com a União iniciada em 1994,na qual a Sanepar pedia imunidade tributária no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).

A companhia já registrou uma receita líquida de R$ 845 milhões pelo precatório no balanço do primeiro trimestre de 2025, considerando na ocasião que precisaria reverter 75% da receita à modicidade tarifária.

Na época, a Sanepar disse que estava levando em conta o manual de revisão tarifária da própria Agepar, mas pediu uma análise da agência com base na “excepcionalidade” do caso.

O valor foi embolsado efetivamente pela Sanepar em setembro de 2025 e representa quase 30% do atual valor de mercado da companhia, de R$ 13,5 bilhões.

Mas a Agepar está propondo agora destinar 50% dessa receita extraordinária para reduzir as contas dos clientes – a chamada modicidade tarifária. 

A outra metade deverá ser usada para investimentos não onerosos na área de concessão – que não podem ser posteriormente repassados às tarifas. 

“Imagino que o mercado devia estar considerando até 50% desse valor do precatório como dividendo,” disse o analista de utilities da Genial Investimentos, Vitor Sousa, ao Brazil Journal.

Em relatórios anteriores sobre o caso, ele havia apontado que, numa expectativa conservadora, 25% do valor total poderia ficar com a empresa, contando com a distribuição de 100% disso como dividendos extras. 

“Muita gente estava comprada esperando esse evento,” disse um trader que acompanha a ação.

A decisão da reguladora estadual, coincidentemente ou não, vem em momento em que o Governador Ratinho Junior ainda não decidiu quem será seu sucessor na disputa eleitoral neste ano, enquanto vê Sergio Moro liderando as pesquisas. 

A regulação estadual prevê que a Sanepar pode ficar com parte de eventuais ganhos extraordinários, de forma a incentivar a busca por receitas adicionais, repassando um percentual aos consumidores. 

Mas a Agepar considerou que isso não se aplicaria a “uma ação iniciada pela companhia na década de 90.” 

Ao analisar o caso, a agência avaliou que “o precatório deve ser tratado como evento regulatório excepcional, desvinculado da lógica ordinária de incentivos e das regras gerais de partilha adotadas em revisões tarifárias periódicas específicas.” 

Ao longo da disputa judicial – uma ação que começou avaliada em cem mil cruzeiros reais em 1994 –, a Sanepar gastou R$ 129 milhões em honorários com advogados. 

Esses custos, pelo menos, já foram descontados do valor que deverá ser repassado aos consumidores, assim como impostos. 

Por volta de 10h42, a ação preferencial da Sanepar caía 7,34%, a R$7,95.




Luciano Costa








Source link

Leave a Reply

Translate »
Share via
Copy link