A Azos, uma insurtech focada no seguro de vida individual, acaba de captar R$ 125 milhões para crescer num mercado ainda extremamente concentrado e dominado pelo Bradesco e a Prudential.
A Série C foi liderada pela Kaszek e por Kevin Efrusy, o americano que foi um dos primeiros investidores do Facebook e chegou a fazer parte do conselho da Big Tech.
Tanto a Kaszek quanto Efrusy já faziam parte do cap table. A Kaszek entrou no seed e depois acompanhou todas as rodadas subsequentes. Efrusy entrou na Série B, um ano atrás, mas com um cheque pequeno.

A Azos ainda tinha parte relevante dos recursos da Série B no caixa, mas decidiu captar de novo para acelerar seus projetos de inteligência artificial.
“O mundo está num momento de inflexão, e acreditamos que as seguradoras tradicionais estão atrasadas na implementação de soluções de AI,” o cofundador e CEO Rafael Cló disse ao Brazil Journal. “Agora é o melhor momento para escalar esses produtos.”
A Azos tem diversos projetos na área. Por exemplo, ela criou uma solução de subscrição das apólices usando AI que garante que a aprovação (ou rejeição) aconteça em segundos. “30% das apólices já aprovamos em alguns segundos, e queremos levar esse número para 50% até o final do ano,” disse o CEO.
A startup também está usando AI para fazer o processamento dos sinistros, o que permite reduzir o tempo desse processo de dias para horas; e está criando uma ferramenta com AI para ajudar os corretores a vender mais.
Há ainda soluções para o atendimento e cobrança, que permitem automatizar parte do trabalho, permitindo expandir a companhia sem aumentar os times.
Fundada em 2020 por Cló, Renato Farias e Bernardo Ribeiro, a Azos surgiu depois que Rafael enfrentou uma batalha hercúlea para conseguir regularizar seu seguro de vida depois que seu cartão de crédito venceu — o que o levou a enxergar uma oportunidade no mercado.
Nos seis anos desde a fundação, a startup chegou a 100 mil apólices ativas e emitiu R$ 307 milhões em prêmios anualizados em fevereiro. Este montante dá à startup um share de pouco mais de 1% do mercado de seguros de vida individual (ex-prestamista), que movimentou R$ 25 bilhões no ano passado e é dominado pelo Bradesco e a Prudential, que juntos têm 64% do mercado.
A startup tem 11 mil corretores parceiros cadastrados e um capital segurado de R$ 110 bilhões.
A Azos opera no modelo conhecido como MGA (managing general agent): ela tem uma parceria com uma seguradora tradicional — a Excelsior — que fornece o balanço e assume os riscos, eliminando a necessidade de obter uma licença na Susep.
A Azos fica responsável basicamente por estruturar os produtos de seguro que serão vendidos e cuidar da experiência do cliente e da precificação do risco.
Nesse modelo, a seguradora captura toda a receita do float, enquanto a Azos ganha basicamente de duas formas: uma receita por originar os clientes e outra por precificar adequadamente o risco (que depende basicamente da evolução da sinistralidade).
Rafael disse que a Azos não tem pressa para obter uma licença própria. “Se olharmos para outras fintechs e empresas de tecnologia, vejo que essa transição tem que acontecer no momento certo. O Nubank, por exemplo, só virou banco, do ponto de vista regulatório, depois de 12 anos. Estamos sem pressa de fazer essa virada porque por enquanto o modelo de MGA está funcionando bem,” disse ele.
A comparação com o Nubank não é à toa. O CEO disse que a ambição da Azos é fazer no mercado de seguros de vida individual o que o Nubank fez no setor bancário.
A tarefa não será fácil. Rafael disse que a Azos tem diferencias competitivos claros do ponto de vista de produto, já que seus seguros têm coberturas melhores que os incumbentes e preços mais competitivos.
“Mas tem um desafio grande da nossa rede de distribuição. Precisamos conquistar o maior número de parceiros possível e tornar nossa marca mais conhecida dos brasileiros, para que os clientes confiem,” disse ele. “Também tem um trabalho de conscientização do brasileiro sobre a importância da proteção patrimonial.”
