Antonio Garcia está deixando a Embraer para assumir como CFO da Azul no lugar de Alex Malfitani, num momento em que a companhia aérea trabalha para executar seu plano de reestruturação após sair do Chapter 11.
Malfitani, um dos fundadores da companhia e CFO desde o início da operação, vai deixar o cargo no próximo dia 20 após 18 anos na Azul.
Segundo uma fonte próxima à companhia aérea, Malfitani já havia sinalizado que tinha o interesse em sair após o fim da reestruturação, e as conversas para contratar Garcia aconteceram no último mês.
“A transição foi coordenada e havia um acordo de que a saída só ocorreria após a estabilização da empresa,” esta fonte disse ao Brazil Journal.
A ação da Azul subia 1% no início da tarde.
Garcia — que entrou na Embraer em 2020, após dez anos como CFO do Thyssenkrupp — comandou a reestruturação financeira da fabricante de aeronaves de São José dos Campos no contexto da pandemia e do cancelamento da venda para a Boeing.
“Acredito que ele pode ter um papel similar na Azul, no contexto da reestruturação financeira da companhia,” disse Lucas Laghi, que cobre as duas empresas na XP.
O novo CFO assume uma Azul que saiu do Chapter 11 em fevereiro, nove meses após o início do processo.
Durante as negociações, a companhia fundada por David Neeleman reduziu suas dívidas financeiras em US$ 6,7 bilhões e diminuiu quase R$ 10 bilhões em passivos de arrendamento de aeronaves, em comparação a 2024.
Além disso, fez um aumento de capital de R$ 5 bilhões em fevereiro que teve a United Airlines como âncora, além da subscrição dos papéis por donos de bonds que vencem até 2030.
Com isso, a alavancagem da Azul caiu de 4,8x no quarto tri para 2,5x em fevereiro.
Uma das renegociações feitas por Malfitani foi exatamente com a Embraer: a repactuação de uma encomenda firme de jatos E195-E2 feita entre 2014 e 2018. O pedido foi reduzido de 51 para 25 unidades.
Agora, Garcia muda de lado.
“A experiência de Garcia na Embraer, uma de nossas parceiras mais importantes, lhe proporciona uma visão única do nosso negócio,” disse John Rodgerson, o CEO da Azul.
Para o mercado, a troca de CFOs acontece num momento delicado – e com leituras distintas entre Azul e Embraer.
Do lado da fabricante, a saída de Garcia não muda a tese de investimento.A empresa vive um ciclo forte de demanda, com backlog praticamente vendido até o fim da década, e a sucessão deve ser absorvida internamente sem maiores impactos.
Já para a Azul, o desafio é mais estrutural.
O setor aéreo segue sendo um dos mais difíceis de operar – e a recuperação da companhia ainda não é consenso.
Na avaliação de um analista, a chance de a Azul retomar uma trajetória sustentável de crescimento e rentabilidade está “entre 6 e 7 numa escala de 0 a 10”.
Ao mesmo tempo, há uma leitura mais construtiva no médio prazo – inclusive para a própria Embraer.
Se a Azul conseguir se reerguer, isso tende a impulsionar a demanda por aviação regional no Brasil – um segmento em que a fabricante brasileira é dominante.
Segundo uma fonte próxima à Azul, o plano da companhia após o Chapter 11 é priorizar geração de caixa e disciplina de capital, reduzindo o ritmo de expansão e focando em rotas mais rentáveis.
“Acho que o Antonio pode pegar esse momento bom, com a alavancagem mais baixa, e focar em entregar geração de caixa,” disse a fonte.
A Azul vale R$ 5,2 bilhões na Bolsa.
