CSD faz parceria com a MEMX, em mais um passo para criar uma nova Bolsa


A CSD BR – a empresa que está tentando criar uma nova Bolsa de Valores no Brasil e tem BTG, Santander, CBOE, Citi, UBS e Morgan Stanley como investidores – assinou um memorando de entendimento para usar a tecnologia de ‘matching engine’ da americana MEMX, uma das principais provedoras deste tipo de sistema no mundo.

O acordo, cujos detalhes ainda estão sendo definidos, é “um passo fundamental” na construção de uma segunda Bolsa de Valores no Brasil, o CFO da CSD, Daniel Miranda, disse ao Brazil Journal.

Segundo ele, ainda não foi definido exatamente como será a parceria com a MEMX, mas há dois caminhos possíveis: uma transação puramente comercial, com a CSD pagando um valor para usar a tecnologia da americana, ou uma parceria de equity, com a criação, por exemplo, de uma joint venture entre as duas companhias. 

Edivar Vilela Queiroz ok

O acordo vem depois da companhia comandada por Edivar Vilela Queiroz ter dado passos relevantes nos últimos anos, tanto do ponto de vista regulatório quanto de infraestrutura.

Em dezembro de 2024, a CSD – que já atuava como registradora – conseguiu as licenças do Banco Central para operar uma depositária, que assegura a titularidade dos ativos, e uma câmara de liquidação, que garante a entrega dos ativos e o pagamento das operações. 

Com isso, a única licença que falta para ela poder operar uma Bolsa é a de contraparte central (CCP), cujo pedido já foi feito e a expectativa é que o processo seja finalizado em 2027. 

Para criar sua Bolsa, a CSD precisava também de uma infraestrutura de ‘matching engine’, que ela poderia desenvolver do zero internamente ou buscar uma parceria.

“Discutimos bastante qual caminho seria melhor, mas partir de um sistema como o da MEMX, que já tem conexão com todos os principais players do mercado e vantagens competitivas, permite que você saia na frente,” disse o CFO.

Miranda disse ainda que o sistema da MEMX é reconhecido como um dos melhores do mundo.

“O que diferencia neste mercado é a estabilidade do sistema, a velocidade, em microsegundos, dos encontros de ordem, e é muito importante que o sistema tenha um baixo desvio padrão dessa velocidade. Seja sempre muito rápido e muito consistente nessa velocidade,” disse Miranda. “O sistema da MEMX é muito bom em todos esses aspectos.”

A parceira com a MEMX vem cerca de um ano depois da CSD ter recebido um aporte de R$ 100 milhões do Citi, UBS e Morgan Stanley.

Antes, ela já havia feito outras duas rodadas. Ela levantou R$ 50 milhões com famílias, como a dos controladores da Suzano e Gerdau, e depois captou outros R$ 200 milhões com o Santander, BTG e a CBOE (a Bolsa de Chicago).




Pedro Arbex








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