Deterioradas a níveis sem precedentes, relações com EUA e Argentina inauguraram a diplomacia brasileira


Crédito, Domínio Público

Legenda da foto, Retrato de José Rebello feito pela pintora retratista americana Sarah Miriam Peale em 1826, pertencente ao acervo da Embaixada do Brasil em Washington

    • Author, Edison Veiga
    • Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
  • Published

  • Tempo de leitura: 9 min

Deterioradas a níveis sem precedentes, as relações diplomáticas desenvolvidas entre o Brasil e seus dois principais aliados históricos, os Estados Unidos e a Argentina, são consideradas inaugurais da diplomacia do então império brasileiro recém-independente de Portugal, nos anos 1820.

A revogação de visto à pessoa que comanda a embaixada brasileira, por parte dos Estados Unidos, e o rebaixamento diplomático das relações bilaterais com a Argentina são episódios sem precedentes desses diálogos internacionais.

Mas não se trata de uma história sem atritos, é verdade — embora, no morde e assopra do xadrez das relações internacionais, a história demonstra que predomina o clima amistoso tanto com Washington quanto com Buenos Aires.

“Embora o atual desgaste nas relações com Washington e Buenos Aires traga prejuízos graves para o pragmatismo da política externa brasileira, o cenário de atrito e rebaixamento funcional de missões não é inédito na história do país”, comenta o cientista político Márcio Coimbra, presidente da empresa de consultoria Casa Política e ex-diretor da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).

Coimbra explica que, no jargão das relações internacionais, “rebaixar o nível diplomático” significa “substituir a liderança de uma missão oficial, historicamente chefiada por um embaixador extraordinário e plenipotenciário, que detém a representação direta e máxima de um chefe de Estado, por diplomata de menor hierarquia, como um encarregado de negócios ad interim”.



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