EMS compra a Medley e consolida liderança em genéricos


Num movimento ao mesmo defensivo e de escala, a EMS fechou a compra do laboratório Medley, consolidando sua posição como a líder em genéricos do País, com 31% de participação de mercado.

O valor do negócio não foi divulgado, mas fontes próximas à Sanofi, que está vendendo o ativo, disseram ao Brazil Journal que a gigante farmacêutica de Carlos Sanchez está pagando US$ 660 milhões de enterprise value (ou R$ 3,5 bi no câmbio de R$ 5,30), avaliando a Medley em 18x EBITDA.

Para efeito de comparação, a Hypera negocia a 7,2x EBITDA para 2026, enquanto players globais negociam ao redor de 10x. 

No ano passado, a Medley faturou R$ 1,3 bilhão e fez um EBITDA de cerca de R$ 200 milhões. 

Carlos Sanchez ok 1

O negócio precisa da aprovação do CADE. 

Sanchez pagou um preço significativamente acima das ofertas não-vinculantes enviadas dois meses atrás, segundo fontes que participaram do processo. Além da EMS, participaram do processo Hypera, Aché, a indiana Sun, a Vinci Compass e a Biolab. 

“Ele nitidamente quis dar um recado: quem manda no mercado de genérico sou eu,” disse um banqueiro que participou do processo. 

Desde o início, o comprador óbvio da Medley era a EMS. O apetite de Sanchez por consolidar o setor ficou claro desde sua oferta hostil pela Hypera no ano passado.

Bastava à Sanofi convencer Sanchez de que ele enfrentava uma concorrência real. E esta ameaça tinha nome e endereço: a Sun Pharmaceutical, a maior empresa do setor da Índia, com faturamento global de US$ 6,2 bilhões e valor de mercado de US$ 52 bilhões.

O processo de venda da Medley foi lançado em outubro passado. As ofertas não-vinculantes foram enviadas no início de janeiro, e as vinculantes estavam marcadas para 18 de março. 

Ao longo dos últimos meses, Sanchez passou a ver os indianos como uma ameaça crível, e fez o que acabaria sendo a proposta vencedora.

Com a proposta de Sanchez na mão e tendo a sensibilidade de preço dos outros players graças às propostas não-vinculantes, o Lazard, que assessorava a Sanofi, decidiu puxar o gatilho: aceitar a oferta da EMS e encerrar o processo antes da hora. 

A aquisição é o maior movimento de Sanchez no tabuleiro da indústria farmacêutica desde que seu pai, Emiliano, fundou a EMS em 1950 como uma farmácia de manipulação em Santo André, no ABC Paulista. O pai morreu quando Carlos tinha 26 anos, e o filho construiu uma empresa apoiada no tripé margem alta, alavancagem zero e barriga no balcão. O Grupo NC, a holding de Sanchez que controla a EMS, faturou cerca de R$ 23 bi ano passado.

Além do caráter defensivo – impedindo que um player de baixo custo de produção possa desarranjar um mercado local – a transação também é um play de escala, trazendo para o guarda-chuva da EMS uma marca de genéricos mais respeitada entre os profissionais. 

“A EMS tem uma das melhores execuções do setor, mas a Medley é uma marca bem mais forte,” disse uma fonte do setor. 

A EMS já é a líder do mercado de genéricos no País. A aquisição combina seu share atual de 23% com os 8% da Medley. 

O vice-presidente da EMS, Marcus Sanchez, disse que as marcas da EMS e da Medley hoje têm o mesmo posicionamento de preço e vão coexistir – mesmo oferecendo o mesmo medicamento.

Fontes do setor dizem que, com o tempo, é possível que a Medley passe a ser a marca premium do portfólio, com um preço superior, e a marca EMS passe a ser a marca de combate do Grupo NC.

Outra especulação é que a EMS possa usar a Medley como a marca para medicamentos de maior valor agregado, como as drogas GLP-1.  A patente da semaglutida, o princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, cai este mês. 

A EMS também vê sinergias operacionais no médio prazo. Marcus disse que a ideia não é fechar fábricas nem concentrar a produção, mas manter as plantas existentes e expandir capacidade conforme a demanda. 

“Ambas as empresas passaram por ampliações fabris mas já se encontram no limite de supply chain. Na EMS, já anunciamos mais de R$ 1 bi de investimentos em expansão fabril nos próximos anos e, depois do closing, veremos o que uma empresa pode fazer para a outra,” disse Marcus. 

Lefosse e Mayer Brown assessoraram a EMS, que não usou assessores financeiros.




Geraldo Samor e André Jankavski








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