Pague Menos tem maior margem EBITDA da história com ganhos de eficiência


A Pague Menos reportou um segundo trimestre com crescimento da receita abaixo do esperado – mas compensou com cortes de custos que levaram à maior margem EBITDA da história da companhia.

A rede de drogarias com sede em Fortaleza aumentou as vendas em 9,3% na comparação anual para R$ 4,3 bilhões, com o same-store sales crescendo 8%. O consenso era de um crescimento de 11,6% nas vendas e de 8,3% no SSS.

O CEO Jonas Marques disse ao Brazil Journal que a companhia também esperava um crescimento maior das vendas, mas que o resultado é positivo dada a base forte de comparação. No segundo tri de 2024, a Pague Menos havia crescido suas vendas em 13%; e no segundo tri do ano passado, 18%.

Jonas marques

“O que aconteceu é que pensamos que as vendas de GLP-1 iam acelerar mais do que aceleraram, e também acabamos abrindo menos lojas que o esperado,” disse Jonas. “Mas continuamos entregando um crescimento acima do mercado e ganhando share em todas as regiões.”

As vendas de GLP-1 contribuíram com 3,2 pontos percentuais do crescimento total do trimestre. Para efeito de comparação: no primeiro tri deste ano a contribuição havia sido de 6,4 pontos, enquanto no quarto tri do ano passado, de 7,6 pontos 

Para compensar a frustração nas vendas, a Pague Menos focou em controlar as despesas, que responderam por 24,1% da receita bruta, em comparação a 24,5% do tri anterior.

Jonas disse que a companhia fez um trabalho forte nas compras de itens não relacionados a vendas (os chamados itens não-produtivos), como tecnologia, limpeza, logística, suprimentos e equipamentos usados na loja. Segundo ele, desde o início do ano a empresa fez 35 concorrências para a renovação de contratos desse tipo, conseguindo uma economia relevante.

No começo de 2024, apenas 20% destas compras passavam por uma área centralizada de procurement dentro da companhia; agora, são 85%, e a companhia espera chegar a 95% até o fim do ano.

Com isso, a Pague Menos reportou a maior margem EBITDA de sua história: 6,5%, um crescimento de 0,4 ponto percentual na comparação anual. O EBITDA ficou em R$ 282 milhões, acima dos R$ 271 milhões que o mercado projetava. 

O número aproxima a companhia do principal benchmark do setor, a RD Saúde, que historicamente tem rodado com uma margem de 7% a 7,5%. 

Outro destaque do tri foi o fluxo de caixa operacional. A Pague Menos reportou um fluxo de caixa de R$ 188 milhões, três vezes maior que o do segundo tri do ano passado. Nos últimos doze meses, o fluxo de caixa foi de R$ 573 milhões, com uma conversão de EBITDA em caixa de 57%, acima da média do setor, que gira em torno de 45%. 

O fluxo de caixa livre também foi positivo, em cerca de R$ 70 milhões. 

O CFO Luiz Novais disse que a melhora do fluxo de caixa tem a ver com a redução do parcelamento para clientes e o alongamento do prazo de pagamento a fornecedores.

“Também estamos monetizando mais rápido muitos dos créditos fiscais que tínhamos, além de reduzir estoques de itens de baixo giro,” disse ele. 

A geração de caixa e o crescimento do EBITDA levaram a mais uma queda na alavancagem, que fechou o trimestre em 1,8x EBITDA, ficando abaixo do patamar de 2x pela primeira vez nos últimos três anos – um marco que a própria companhia havia colocado como meta. 

Este é o décimo segundo trimestre consecutivo em que a Pague Menos reduz sua alavancagem.

Apesar da alavancagem num patamar saudável, Jonas disse que o plano não é acelerar a abertura de lojas, mantendo o ritmo de apenas 50 lojas por ano. 

“Vamos continuar abrindo de forma balanceada porque temos outras prioridades neste momento. Estamos melhorando a logística, a parte de pessoas, e pensando muito em tecnologia,” disse ele. “No ano passado, por exemplo, o ecommerce era 21% das vendas. Hoje, já é 24%.”

O resultado de hoje vem num momento em que a ação da Pague Menos descolou de seus peers e tem performado abaixo deles nos últimos três a quatro meses.

O papel perde 16% nos últimos 12 meses, comparado a ganhos de 29% na RD Saúde e de 28% na Panvel. 

A Pague Menos fechou o dia valendo R$ 2,35 bilhões na Bolsa.




Pedro Arbex








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