Daniel Gava, o fundador da Rooftop – uma empresa especializada em dar liquidez a donos de imóveis sob pressão – arrematou em um leilão judicial créditos inadimplidos da massa falida do Banco Pontual, que em valores atualizados somam R$ 399,6 milhões.
Gava foi o stalking horse do leilão: estruturou a proposta inicial e teve direito de preferência para cobrir novas ofertas. O lance mínimo era de R$ 3,5 milhões. O ASA, de Alberto Safra, ofereceu R$ 5 milhões; e a Enforce, do BTG Pactual, R$ 7 milhões. Gava ficou com os créditos pagando R$ 7,050 milhões.
Gava disse que vinha estudando os créditos há um ano e vai ceder os ativos para o recém-criado braço de NPL (créditos não performados) da Rooftop.
“Já temos a leitura de que em alguns dos créditos do Pontual, o devedor possui patrimônio imobiliário para ser atingido. Em outros, ainda faremos uma investigação mais aprofundada,” ele disse ao Brazil Journal.

O Pontual – do ex-banqueiro José Baia Sobrinho, que fez carreira no Safra e no BMC – foi liquidado pelo Banco Central em 1999 após a descoberta de fraudes e participação na “cadeia da felicidade”, um esquema de emissão e negociação irregular de precatórios, alvo de uma CPI.
Apesar dos 27 anos desde a liquidação do banco, Gava disse que os créditos não estão prescritos e há muito valor a recuperar. “Num período longo como esse, inclusive, a situação do devedor muda bastante para melhor ou pior,” disse. A expectativa inicial é recuperar entre 5% e 10% dos créditos em cinco anos, com investimentos em recursos judiciais e investigações patrimoniais.
A Rooftop está ampliando sua atuação para NPLs por conta do crescimento de ativos problemáticos no sistema financeiro, disse Gava. “Quanto mais profissionalização na recuperação de crédito, mais o devedor vai se preocupar em ficar adimplente. Muitas vezes ele deixa o crédito inadimplir porque o banco tem flexibilidade e a Justiça é muito lenta.”
Gava é um advogado que fez carreira trabalhando com ativos com problemas jurídicos. Em 2020, ele fundou a Rooftop para trabalhar no financiamento de aquisições de imóveis em leilões judiciais e extrajudiciais.
Em 2022, a empresa desenvolveu uma nova categoria de produto imobiliário no mercado, além do financiamento, do consórcio e do home equity.
Batizado de home cash, o produto estrutura operações com imóveis de alto padrão cujo proprietário esteja com necessidades de capital por razões financeiras ou jurídicas. No produto, a Rooftop compra o imóvel por um valor abaixo de mercado; o proprietário recebe o dinheiro para equacionar sua situação e assina um contrato residencial de 30 meses que dá a ele duas alternativas: ou recomprar o imóvel por um valor definido previamente; ou, em conjunto com um fundo da Rooftop, buscar uma melhor oferta e ficar com a diferença.
Todas as transações deste tipo são feitas por meio de um fundo da Rooftop, listado na Bolsa desde 2024 sob o ticker HOMS11 e co-gerido pela Galápagos Capital.
“Estamos projetando para este ano uma alocação de R$ 230 milhões nesse veículo,” disse Gava. O PL atual do fundo é de R$ 80 milhões. A fundo já fechou mais de 200 operações de home cash, disse Gava.
