O fôlego das vendas da Track&Field não acaba.
A marca de vestuário esportivo acaba de reportar um same-store sales de 23,1% no quarto tri – acima dos 22,8% do tri anterior e dos 21,8% do segundo tri do ano passado.
O crescimento das vendas nas mesmas lojas também está 10,8 pontos percentuais acima do crescimento de 12,3% registrado no mesmo período do ano passado.
Para efeito de comparação, Riachuelo e Lojas Renner tiveram um SSS no quarto tri de 7% e 3%, respectivamente, enquanto a C&A teve queda de 3%.
No ano fechado, a receita líquida da T&F cresceu 25,8% e ultrapassou pela primeira vez a barreira de R$ 1 bilhão.
O CEO Fernando Tracanella disse que a aceleração do SSS ficou acima do projetado e que a empresa teve que fazer uma reengenharia na sua produção e logística para dar conta da demanda.

“Conseguimos reagir muito rápido com os nossos fornecedores para atender bem aos franqueados. Abrimos até um segundo turno no nosso centro de distribuição em Osasco,” Tracanella disse ao Brazil Journal.
O crescimento acelerado também veio acompanhado de um aumento da rentabilidade.
O EBITDA ajustado da empresa no tri subiu 34,3% para R$ 78,3 milhões, enquanto o lucro líquido avançou 40,5% para R$ 56,5 milhões – ambos acima do consenso.
Segundo Tracanella, um dos motivos para a melhora dos números foi o avanço das reformas das lojas da companhia – com 60% da base já operando no novo formato.
Em 2025, a Track&Field manteve o ritmo do ano anterior: 42 lojas reformadas e 40 aberturas.
As lojas no novo formato – algumas equipadas com o café TFC – estão performando melhor que as antigas. As lojas próprias reformadas tiveram SSS de 36%, e as franquias reformadas tiveram alta de 30,6% nas vendas em mesmas lojas.
“Isso demonstra que já temos um SSS contratado para os próximos anos,” disse Tracanella.
A TFSports, a plataforma da varejista que organiza eventos e conecta professores e consumidores, fez uma receita líquida de R$ 9,6 milhões no tri, flat em relação ao mesmo tri do ano anterior.
Fred Wagner, o fundador da T&F e CEO da TFSports, disse que o resultado foi impactado pelo fim do Perse, o programa do governo criado para a retomada do setor de eventos. Sem o impacto do Perse, a TFSports teria tido um crescimento de 15% ano contra ano.
No quarto tri, a plataforma listou mais de 1.200 eventos, com mais de 146 mil inscritos. No total, a ferramenta atende mais de 1,2 milhão de usuários.
O negócio ainda é um detrator de caixa, “mas vejo que o mercado está entendendo a TFSports como um ecossistema de fato, e os eventos vêm impactando as vendas das nossas lojas,” disse Fred.

Uma frente que deve acelerar este ano é a operação na Europa: a empresa abriu três franquias em Portugal, e a ideia é usar o país como base para atender todo o Velho Continente por meio de seu e-commerce.
“Estamos dando os primeiros passos e com a mesma estratégia de ecossistema, como a organização de eventos. Já temos compradores até de países como Eslováquia e Estônia,” disse Tracanella.
A ação da Track&Field sobe 60% nos últimos doze meses, com a companhia valendo R$ 2,4 bilhões na Bolsa.
Um dos pontos de atenção do mercado é a liquidez. Hoje grande parte do capital está na mão dos três fundadores/controladores: o próprio Fred, Ricardo Rosset e Alberto Azevedo. (Os três têm 100% das ONs e 22% das PNs.)
Fred disse que não há intenção de fazer um follow-on para colocar mais ações em circulação, e que o volume atual já dá conta da demanda.
“A nossa liquidez está girando em torno de 700 mil ações por dia, um volume de R$ 13 milhões. Não recebo mais tantos questionamentos sobre esse tema,” disse Fred.
