A BOND, uma startup de AI criada há quatro meses para automatizar a contabilidade de PMEs, acaba de levantar uma rodada para expandir sua operação, atendendo um mercado altamente fragmentado e que investe pouco em tecnologia.
A captação, de R$ 10 milhões, foi liderada pela Propel — uma gestora de venture capital americana que já investiu no Brasil na Nomad e no Neon — e teve a participação das brasileiras Kiara Ventures, Norte Ventures e Hypersphere, a gestora dos fundadores da Hyperplane, vendida recentemente para o Nubank.
Patrick Sigrist, um dos fundadores do iFood, também participou da captação na pessoa física.

A BOND foi fundada por Matheus Oliveira, um dos primeiros funcionários da Loft e que depois trabalhou no family office FitPart e fundou sua própria gestora, a FW Capital, em 2022.
O outro fundador é Gabriel Jordão, que passou os últimos 14 anos na JusBrasil como programador e depois diretor de produto.
Matheus disse que decidiu fundar a BOND porque o setor de contabilidade tem um nível de serviço “muito baixo.”
“Existem mais de 100 mil escritórios de contabilidade no Brasil, a maioria pequenos, e é um setor que investe muito pouco em tecnologia,” ele disse ao Brazil Journal. “A maioria dos softwares ERPs foram criados nos anos 2000. Além disso, a grande maioria dos contadores está mais velho, não tem um plano de sucessão, e por isso investe pouco no negócio.”
Segundo ele, enquanto startups como a Contabilizei e Agilize estão endereçando muito bem as microempresas e os ‘PJotinhas’, as empresas de pequeno e médio porte, que faturam entre R$ 3,6 milhões e R$ 50 milhões, têm que lidar com um nível de serviço ruim e muitas vezes acabam pagando mais impostos do que deveriam.
A BOND está se posicionando como um escritório de contabilidade full service, oferecendo serviços de contabilidade, fiscal/tributário e folha de pagamentos — com o diferencial de usar AI para automatizar diversos processos e melhorar o atendimento dos clientes.
“Para os fluxos mais ‘high touch’ temos um contador que atende os clientes, mas que é turbinado em 10x pelas ferramentas de AI que temos. Já para os fluxos mais operacionais, braçais, automatizamos tudo com AI,” disse Matheus.
Um exemplo é a simulação demissional.
Matheus diz que se o cliente de um escritório tradicional solicitar essa simulação numa sexta-feira, por exemplo, normalmente só vai receber o resultado na terça. “A gente automatiza isso de ponta a ponta e conseguimos dar a resposta em poucos minutos,” disse o fundador.
Outro caso: quando o cliente atrasa a guia do Simples e precisa parcelar o valor. “Num escritório tradicional, isso demoraria em duas frentes: ele entraria numa fila de atendimento e depois a emissão da guia demoraria pra ser feita. A gente emite essa guia parcelada num apertar de botões.”
Os recursos da rodada serão usados para continuar a construção do produto, ampliando mais ainda as automatizações possíveis, e para investir em crescimento orgânico e inorgânico.
A BOND hoje atende apenas 10 empresas, que começaram numa fase de beta, e planeja iniciar os esforços comerciais agora. A startup também está avaliando a compra de algumas carteiras de clientes de escritórios de contabilidade, algo comum no setor.
