O Rio está conversando com turcos e chineses. A meta: voos diretos no Galeão


Istambul, China, São Francisco. 

Estas são, em ordem de probabilidade, as três rotas internacionais que podem entrar na grade do Galeão nos próximos meses.

As negociações são descritas como complexas, mas a expansão da malha aérea do Rio é tratada como uma prioridade para a Invest.Rio – a empresa da Prefeitura que busca atrair investimentos para a cidade.

08 27 Sidney Levy ok“O turismo é uma grande mola de desenvolvimento para o Rio e a conectividade aérea é essencial para a cidade crescer,” Sidney Levy, o presidente da Invest.Rio, disse ao Brazil Journal

O Rio recebeu 2 milhões de turistas no ano passado, enquanto Cancún recebeu 10 milhões, o que, segundo Levy, dá espaço para uma ampla margem de crescimento para a Cidade Maravilhosa.

Segundo ele, é preciso focar no tripé hospedagem, calendário de eventos e malha aérea, dos quais o terceiro é o menos desenvolvido no Rio no momento.

Depois de mais de três décadas na iniciativa privada, com passagens por empresas como De La Rue e Valid, Levy chefiou a organização da Olimpíada de 2016 no Rio – e diz que o cenário hoje é completamente diferente do da época.

“Na época fizemos um esforço hercúleo para aumentar a oferta de quartos de hotel da cidade de 20 mil para 40 mil, que era o número que o Comitê Olímpico Internacional (COI) pedia. Hoje temos 60 mil quartos e 20 mil Airbnbs, além de um calendário de eventos muito mais completo,” ele disse.

Enquanto isso, o Galeão foi afetado pela pandemia e pela tentativa política de diminuir sua oferta de voos em favor do Santos Dumont, chegando a receber apenas 6 milhões de passageiros por ano contra os 17,5 milhões registrados no ano passado (quando Guarulhos recebeu 47 milhões). 

“Por isso lançamos o programa Novas Rotas, que visa apoiar as companhias aéreas que se disponham a operar destinos não cobertos na cidade,” disse Levy.

Concebido para atrair companhias estrangeiras, o plano inclui descontos nas taxas aeroportuárias durante os primeiros meses de operação de uma rota e um subsídio de curta duração caso a mesma demore a engrenar – o que, num primeiro momento, chamou a atenção da Gol.

A companhia aérea dos Constantino transformou o Galeão em seu hub no País e anunciou rotas para Nova York (estreia em 8 de julho), Lisboa (16 de setembro), Orlando (sem data) e Paris (sem data) nos últimos meses.

Mas a Invest.Rio não desistiu das empresas internacionais, e realizou no mês passado o evento Routes, que reuniu na cidade mais de mil network planners, os profissionais responsáveis por mapear preços e fluxos de passageiros para definir as rotas prioritárias das aéreas.

“Existe um entusiasmo grande dos estrangeiros em relação ao Brasil, mas o desenvolvimento de rotas é um processo complexo que envolve logística, manutenção, posicionamento de hubs, treinamento de pilotos, publicidade,” disse Sidney. “São decisões que carregam muito risco.”

A negociação com a Turkish Airlines para a criação de uma rota Rio-Istambul é a mais avançada no momento, o que daria ao Rio uma ligação direta com o segundo aeroporto mais movimentado da Europa e uma nova conexão com o Oriente além da rota Rio-Dubai, já operada pela Emirates.

Depois de uma visita de Levy à China, a Invest.Rio também iniciou conversas para estabelecer uma rota entre o Rio e o gigante asiático, mas as tratativas ainda não chegaram a uma companhia aérea ou destino específicos.

Já a ligação entre o Rio e a Costa Oeste americana, especificamente San Francisco, parece a mais difícil de se concretizar no momento.

“Este trajeto seria ideal para apoiar o desenvolvimento da nossa AI City (o parque de data centers em construção na Barra), mas as aéreas americanas estão relutantes,” disse Sidney. “Existem questões que pesam, como a sazonalidade. No verão do Hemisfério Norte, por exemplo, é impensável eles tirarem aviões de rotas para a Europa, onde os americanos tiram férias.”

Além dos estímulos, a Invest.Rio aposta na chegada da Aena ao Galeão como um novo trunfo nas mesas de negociação, já que a operadora espanhola mantém acordos com as principais aéreas do mundo em aeroportos como Madrid-Barajas e El-Prat Barcelona.

O Galeão hoje opera voos diretos para Nova York, Atlanta, Miami, Houston e Dallas nos EUA, além de conectar o Rio non-stop com as principais capitais europeias e sul-americanas, Cidade do Panamá, Toronto, Montreal e Dubai.




Matheus Prado








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